terça-feira, 14 de maio de 2013

SertãoTango: a música argentina a Conquista

Release do evento

SertãoTango” é um projeto idealizado coletivamente pelo grupo “Tango por quarto” e com direção musical do pianista argentino Pablo Fornasari. A origem do nome “SertãoTango” vem da influência do maestro Astor Piazzolla, que em suas composições nomeou uma série de tangos aglutinando a palavra “tango” a diversos adjetivos, qualificando cada composição com o sentimento que se pretendia expressar durante a sua composição, a exemplo de Violentango, o famoso Libertango, etc. Diante disso o grupo “Tango por quatro” que teve sua formação em Vitória da Conquista, localizada na região que outrora se denominava “Sertão da ressaca”, uniu toda expressividade e paixão do tango às manifestações artísticas da cidade de origem.

O espetáculo, que conta com as vozes de André Effgen e Larissa Caldeira junto ao acordeon de Heryck Almeida e o piano de Pablo Fornasari, traça uma linha histórica de clássicos do tango argentino percorrendo os estilos tradicionais de antes da década de 1940, chegando até o tango contemporâneo de Piazzolla.

Astor Piazzolla
O concerto é enriquecido também pela colaboração da Academia RDS de dança de salão na presença dos dançarinos Renato dos Santos e Nete Ribeiro, além da participação especial dos músicos Kleber Moreno (acordeon) e Talita Villas-Bôas (Violino).

A apresentação do concerto “SertãoTango” acontecerá no dia 17 de maio, pontualmente às 20 horas no teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Ingressos à venda nas Livrarias Nobel ( Av. Otávio Santos e Shopping Conquista Sul), na Livraria Só Letras ( Rua Siqueira Campos) e no dia do concerto na bilheteria do Centro de Cultura pelos valores de R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia).


LEMBRANDO
LOCAL
: CENTRO DE CULTURA CAMILLO DE JESUS LIMA
DATA
: 17 DE MAIO DE 2013
HORÁRIO
: 20H
INGRESSO:
R$ 30,00 / R$ 15,00
DIREÇÃO MUSICAL
: PABLO FORNASARI
 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sexo e ideias criativas

Por Marcelo Lopes


Uma vez perguntaram ao cineasta Woody Allen se ele achava que sexo era sacanagem. “Só se for bem feito”, ele respondeu. Este texto não é necessariamente sobre sacanagem, embora alguém possa discordar.


Mais do que apenas circunscrita nos termos da biologia, o sexo é compartilhado socialmente pela mediação cultural que dita o que deve ou não deve ser aceito, cria seus tabus e o transforma no termômetro daquilo que chamamos de proibido. Pecar, por exemplo,  em certo sentido – justamente por ser pecado - é mais gostoso do que pesado na alma. Ao longo da história humana, o sexo desfilou com maior ou menor naturalidade pela arte, pela ciência, pela vida a dois, a três ou grupal. Na Grécia antiga, a homossexualidade era tratada como algo comum, permitido e até institucionalizado. Na tradição de alguns povos africanos a sensibilidade do corpo feminino é reconhecidamente um canal com os deuses, o que fazia com que certos homens “mudassem de sexo”, tornando-se virtual e conjugalmente mulheres e sacerdotizas. Até poucas décadas atrás, na nossa terrinha brasilis, era comum as famílias darem suas filhas ao casamento e quanto menos idade tivessem melhor para que gerassem mais filhos ao longo da vida fértil. Isto significava dizer que eram estimulados socialmente os casamentos entre homens adultos e meninas de doze ou treze anos, até menos. Muitas histórias de avós e bizavós vêm à tona se pararmos bem para pensar e olharmos nossos troncos familiares.

O Último Tango em Paris, de Bertolucci
Se o sexo ainda é tabu, a forma como lidamos com ele muda a todo o momento. Na arte principalmente. Por ser essencialmente transgressora, a criação artística dá conta de interpretar o sexo ao com todo prazer possível, e vice-versa. No cinema, podemos citar obras como O Império dos Sentidos, filme franco-japonês de 1976, do diretor Nagisa Oshima, que explora os limites do amor obsessivo entre uma ex-prostituta e o chefe de uma propriedade onde ela é contratada como empregada; Saló ou os 120 dias de Sodoma (1975), de Pier Paolo Pasolini, trata da história de um grupo de jovens que sofre uma série de torturas por quatro fascistas durante o ano de 1944, inclusive sexuais com alto teor escatológico; O Último Tango em Paris (1972), do cineasta Bernardo Bertolucci, explora a violência sexual e o caos emocional entre um homem mais velho (Marlon Brando) e uma jovem parisiense (Maria Schneider), lembrado até hoje pela cena tensa e altamente erótica de sexo anal.

Hoje, o cinema e o audiovisual dão conta de falar sobre sexo das maneiras mais diversas. Filmes que deixam de lado a simulação representativa do sexo e gravam cenas reais não são difíceis de achar: 9 Canções (Michael Winterbottom / 2004); Ken Park (Larry Clark / 2002); Q (Laurent Bouhnik / 2011); Shortbus (John Cameron Mitchell / 2005) são apenas alguns de uma longa lista. Outras abordagens bem interessantes são os exemplos abaixo.

Beautiful Agony: exercício do "prazer solitário" em video
Beautiful Agony (facettes de la petite mort) é um site que grava e exibe vídeos de pessoas (mulheres e homens) tendo orgasmos. Enquadrada apenas em close (sem genitálias e outras opções do tipo), a proposta mostra a gradual e quase poética escalada para a “pequena morte”, como bem descreve o subtítulo do site.

Hysterical Literature é uma série de vídeos de mulheres lendo textos, com passagens eróticas ou não, ao mesmo tempo em que são estimuladas por um vibrador. Atingindo o clímax, elas mostram “o dualismo entre o corpo e a mente”. O fotógrafo Clayton Cubitt, responsável pela ideia, diz que a série também pretendeu mostrar o contraste entre cultura e sexualidade, já que o orgasmo feminino ainda é criminalizado em algumas sociedades e religiões.


Hysterical Literature: Session One: Stoya (Official) 


 


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Política de Juventude, Cultura e Festival

Por Marcelo Lopes / Release do evento

A Política Nacional de Juventude tomou para si a polarização de uma série de medidas que visaram reconhecer o jovem como uma categoria social com necessidades específicas em relação às políticas públicas. Implantada no Brasil a partir de 2004, hoje alcança todos os níveis da federação.

Pensar políticas, programas e ações que mobilizem a juventude em diversas instâncias, tendo com centro de gravidade a compreensão do seu papel fundamental para um crescimento efetivo do cidadão com uma cada vez melhor e mais abrangente qualidade de vida tem sido o objetivo de muitas gestões no país.

Em Vitória da Conquista, desde 2012, a maior culminância das atividades institucionais voltadas para essa faixa etária no município tem sido o Festival da Juventude. Em seu segundo ano, o evento traz o tema “Fazer parte em toda parte”, e conta com uma programação totalmente gratuita e diversificada, trazendo debates, palestras, rodas de conversa, encontros de movimentos sociais, espaços autogestionados e apresentações culturais, atividade esportiva, além de shows com artistas locais e nacionais. Nomes como escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, o músico Arnaldo Antunes integram momentos de reflexão sobre a cultura, enquanto artistas como Tulipa Ruiz, Otto e Jau são presenças aguardas nas noites de shows na Praça Barão do Rio Branco. Este ano ainda, o evento abriu concurso que contemplará os artistas e as bandas locais para a participação no palco principal, como uma justa homenagem ao o radialista e ativista cultural Miguel Côrtes, morto em 2012.

A configuração do projeto pretende dar conta de oferecer espaços de convivência, encontros que gravitem entre práticas culturais simbólicas e a troca de experiências, possibilitando a reflexão coletiva sobre questões relacionadas à cidadania, educação, cultura, lazer e políticas públicas sociais.

Segundo o conquistense Danilo Moreira, que ocupou os cargos de Presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) entre 2008 e 2010, e Secretário-Adjunto da Secretaria Nacional de Juventude (2007/ 2010), “realizar eventos que promovam o encontro entre cultura, política e juventude é importante para afirmarmos uma nova visão de sociedade, na qual a participação juvenil é um elemento fundamental. Fico feliz com a força deste tema em minha cidade". Assim como Danilo, que construiu um percurso em movimentos de juventude discutindo temas pertinentes a este amplo universo de perspectivas, o perfil dos participantes do evento trazem também para a pauta as demandas mais variadas, da postura política à diversidade sexual, da educação à produção criativa.

O Festival da Juventude – Ano II acontecerá entre os dias 10 e 12 de Maio de 2013, nos mais variados espaços públicos da cidade (veja programação), e manterá e expectativa – confirmada ano passado – da participação de jovens de todo o país. O projeto é uma realização da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, o apoio da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Uesb, da Faculdade Independente do Nordeste/Fainor e do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.

domingo, 5 de maio de 2013

O apoio a Maris Stella e a ordem dos loucos

Por Marcelo Lopes

Um dos textos mais geniais da nossa literatura tem por nome “O Alienista”, do célebre escritor Machado de Assis, o maior nome das letras no Brasil. No livro, a personagem central é Simão Bacamarte, um médico conceituado que passa a usar de critérios interpretativos da psiquiatria para julgar o comportamento das pessoas, enquadrando-os em várias espécies de loucura, e, nisto constatando, resolve interná-los um a um. No intuito de ser criterioso, comedido e dogmático em suas crenças técnicas, Bacamarte interna toda a cidade. Por fim, na conclusão de que, se afinal todos são loucos, e a normalidade ao qual somente ele se enquadra é a exceção, a definição do que está certo e errado fica patente: o médico liberta a todos e se enclausura no próprio hospício.

Há um hospício a espera de mais alguém na Bahia.

Alguém, que no tecnicismo das suas atitudes, segue em sentido contrário ao sentimento, à noção mais legítima do que é cultura e ao reconhecimento de uma cidade inteira ao trabalho de Maris Stella Schiavo Novaes como gestora do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Fato: Maris Stella acaba de ser exonerada – pasmem – por dar ao então falecido artista plástico J. Murilo, um ícone da cultura local, sua devida homenagem, permitindo seu velório no foyer do Centro, contrariando com isso a regra fria que normatiza tais espaços na Bahia. A alegação da Secretaria é que esta foi uma atividade particular, um velório puro e simples, que nada tem a ver com a cultura. No entanto, foram, em peso, artistas, produtores, atores, músicos, cineastas, escritores e inúmeros outros admiradores, os que compuseram o público daquela noite, das 16h às 22h, quando o velório foi transferido para outro lugar (este sim, particular). Um perfil de plateia mais significativa que em muitos espetáculos propostos pela própria SecultBa. Uma manifestação daqueles que, como representantes legítimos da cultura, marcaram sua presença para homenagear outro dos seus.

Sejamos sinceros: este é um espaço da cultura, para a cultura e que tem a cultura como finalidade, ou um tributo à burocracia? De quem de fato é o Centro de Cultura? De quem manda, fazendo obedecer quem tem juízo, ou de nós – pobres mortais – que, em tese, damos sentido a toda esta instituição que nos representa? Já me sinto sendo levado à minha cela, com uma tabelinha no prontuário pendurada ao pescoço, marcando os horários dos meus remédios a serem ministrados pelos enfermeiros da SecultBa.

O problema sempre é mais embaixo do que parece. Nos fazer crer que este foi o motivo real da exoneração, é, no mínimo, nos trocar da categoria de loucos para idiotas. Melhor seria que o órgão, sob o mesmo tom democrático que apresenta em nota pública a justificativa da exoneração, mantivesse abertos os ouvidos ao que toda a cidade de Vitória da Conquista acha desta atitude, no mínimo, contraditória. Nas duas formas de nos encarar, fica evidente que o ego de alguém - assim como ocorreu com Simão de Bacamarte - ainda não foi submetido a uma autoavaliação reveladora do quão distorcida é a sua percepção (sobre a cultura). Mais ainda: a empáfia da posição de poder, que a tudo quer medicar em benefício do coletivo, esquece quem de fato é o coletivo, deixando de lado o que é importante, sem levar em conta aqueles que dão legitimidade ao direito de sentar-se na cadeira que tão burocraticamente ocupa.

Nos últimos meses da gestão do CCCJL foi explícita a mudança e os avanços na dinâmica do espaço, com a total ocupação pela comunidade dos lugares de produção, discussão, reflexão e vivência pela cultura. Aquilo que chamam de cargo de confiança – lugar segundo o qual a SecultBa alega Maris Stella não ter sido obediente - perde o total sentido quando nos perguntamos, “confiança de quem?”.

Espero de verdade que este lugar cada dia mais torto que chamamos Bahia não seja o hospício de ninguém. Mas, ao mesmo tempo, que fique claro não temos medo de agulhas.


Segue abaixo o link da Petição Pública que pede a revogação da exoneração de Maris Stella Novaes:

#FicaMarisStella – Pela Democratização dos Espaços Culturais!
http://www.avaaz.org/po/petition/FicaMarisStella_Pela_Democratizacao_dos_Espacos_Culturais/?tvneGeb