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sexta-feira, 2 de agosto de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Sites integrados sobre cultura
Por Marcelo Lopes
O documentário “Contra o Veneno Peçonhento do Cão Danado” é a primeira produção do projeto Memórias da Cultura Popular, realizado
pelo Instituto Manacaru de Inclusão Sociocultural e parceiros como a produtora
TV Local, a Catrupia Produções, a Cia Operakata de Teatro e a Ong Carreiro de Tropa – Catrop. O projeto tem por finalidade a
reflexão e o registro de saberes populares, calcados nos mais diversos temas da
história cotidiana. Na produção do documentário tratará de registrar os causos
populares em torno de pessoas – historicamente anônimas ou conhecidas – que,
segundo a crença popular, têm seu corpo fechado ao ataque de armas de fogo,
arma branca e outros “poderes” de resguardo físico. Alinhavando narrativas de
guerra e violência, disputas de poder político e mitos populares, o curta
pretende dar conta principalmente de um universo histórico e mágico que vem se
perdendo na contraposição do campo com a urbanização dos nossos dias.
Realizado pela produtora TV Local, em
co-produção com o Instituto Mandacaru e o portal Sintoma de Cultura, o
documentário “Contra o Veneno Peçonhento
do Cão Danado” é uma proposta aprovada no Edital Setorial de Audiovisual
12/2012, do Governo do Estado da
Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, Secretaria da Fazenda e Fundo de
Cultura da Bahia – FCBA.
No dia 03 de Julho (quarta-feira), às
19h, na sede da Rede de Atenção da Criança e do Adolescente / PMVC (na praça
Tancredo Neves) a equipe responsável pela realização do documentário lançará o
site oficial do curta-metragem para a imprensa e parceiros. Na oportunidade
serão apresentadas as propostas conjuntas do novo formato do site Sintoma de
Cultura e a inauguração do espaço virtual documentário, onde serão
disponibilizadas diversas informações sobre o tema da cultura popular e do
patrimônio imaterial, com textos, fotos e depoimentos, além do diário de
produção do curta.
Sobre
o Sintoma de Cultura
Em Maio de 2013 o blog Sintoma de
Cultura fez seu primeiro ano. Uma experiência bastante interessante: disponibilização da produção
de textos (novos e antigos) sobre cultura, postados com certa regularidade,
tratando de temas diversos, sendo compartilhados, discutidos, criticados e, sobretudo,
utilizados como forma de estímulo à reflexão sobre temas caros ao nosso
dia-a-dia. Mesmo não premeditado, o projeto – mais instintivo que planejado –
tomou uma repercussão curiosa, apontou caminhos que não estavam na pauta e o
resultado de tudo isto hoje está quase parido: a partir do dia 03 Julho de 2013 o Sintoma passa a
atuar como portal de cultura.
A ideia
central é a produção coletiva de conteúdos com espaço partilhado para relatos experiências
culturais diversas, artigos, criações audiovisuais, fotografia, música, artes
plásticas e todo um universo de criação artística e simbólica que permita
pensar a cultura de forma mais ampla. Assim, iniciativas oriundas de qualquer
parte do país podem contribuir com ideias e experiências. O espaço do blog será
mantido no novo domínio, mas haverá ainda outros desdobramentos, como a própria atividade do projeto
Memórias da Cultura Popular e a
produção do documentário “Contra o
Veneno Peçonhento do Cão Danado”.
A proposta do
projeto segue existindo ancorada na ideia fundamental do compartilhamento de ideias,
anúncios comerciais e/ou nenhuma outra
vinculação que comprometa sua essência. O endereço do Sintoma no Blogspot será
mantido apenas como arquivo para que seus links originais ainda continuem sendo
acessados, mas praticamente todas as suas postagens serão transferidas para o
novo domínio, facilitando comentários, interatividades e compartilhamentos.
Espero que gostem, acessem, leiam,
compartilhem e contribuam.
Até lá...
Postado por
Marcelo Lopes
às
11:07
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
Central do Brasil visto de perto
Por
Marcelo Lopes
O filme “O Tropeiro”(1961), o vínculo
natal do cineasta Glauber Rocha (1939-1981) e a passagem da equipe de filmagens
de “Central do Brasil”(1998) são exemplos, em tempos e perspectivas diferentes,
de registros fundamentais da relação estreita que Vitória da Conquista
alinhavou com a sétima arte. Futucando minhas coisas em casa, resgatei um material
importante desta história. Registros que acompanhei passo-a-passo, de perto, e
que, num tributo merecido, deixo aqui postado como parte da memória recente da
cidade e daqueles, que como eu, respiram cinema.
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| Walter Salles |
Em 1996, o então recém-eleito prefeito
de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes, havia sido contatado pela equipe de
um longa-metragem que circulava o país para conseguir apoio logístico para suas
filmagens. Tendo como referência o trabalho já reconhecido da ProVídeo/Programa Janela Indiscreta Uesb na área da formação de público para o cinema, o gestor triangulou os contatos para a
viabilização desta possibilidade. O filme apontava nomes conhecidos no elenco e
era encabeçado por um então jovem cineasta vindo do campo da publicidade e do
documentário: Walter Salles (o Jr. sairia da assinatura pouco tempo depois).
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| Terra Estrangeira no Madrigal: ao centro o ator Matheus Nachtergaele |
Em um curto período chegaram o roteiro,
números de telefone e toda uma rede de articulações se mobilizou. Num lapso de
segundo, parecia que tudo estava pronto, por maior que fosse a trabalheira real
em torno disto. Com a parceira de instituições públicas e privadas locais, a
equipe se acampou com dezenas de pessoas, equipamentos e toda sua parafernália cinematográfica no
bairro Vila Serrana II para sete dias de filmagens. Na contrapartida do apoio, a equipe levou
para dentro do filme atores e técnicos locais, deu acesso a parceiros e participou de
eventos relacionados ao cinema, como a exibição do filme Terra Estrangeira, do
diretor Walter Sales, que o comentou a um assombroso público de mais de mil
espectadores no Cine Madrigal.
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| Cena de Central do Brasil na Vila Serrana, em Conquista |
Foram dias interessantes. O então não tão famoso
ator Matheus Nachtergaele, descia do apartamento do hotel Livramento e passava os
finais da tarde sentado à mesa de um barzinho de esquina na Praça do Gil, sem que ninguém
o notasse. Um bate papo agendado num sábado à tarde com os diretores Walter
Salles e Walter Carvalho (responsável pela fotografia do filme) se tornou uma deliciosa aula de mais de quatro horas sobre
cinema numa salinha na Uesb para um grupo de não mais que doze pessoas (e eu no
meio!!). E talvez a mais instigante aprendizagem era poder respirar o ar daqueles
dias nos espaços dos sets de filmagens. Entendam: cinema no Brasil neste período
era meio que um bicho-de-sete-cabeças (um trocadilho proposital). Primeiro,
porque fazê-los não era algo assim tão fácil depois que Fernando Collor praticamente
havia esfacelado os mecanismos que estruturavam o cinema no Brasil; segundo,
o contato direto com este universo quase mitológico do cinema não era tão acessível, e em meio a tudo isso, não se tratava apenas de presenciar qualquer filme: era um longa-metragem, com
profissionais com um know-how acima da média, com atores de ponta e um
investimento considerável. Isto pode parecer óbvio hoje em se tratando de
Central do Brasil, mas à época, ainda não havia todo o frisson em torno do que
ele viria a se tornar, como um marco na cinematografia brasileira, uma narrativa
sensível, uma produção respeitada, que levaria o Leão de Ouro em Cannes e
indicações ao Oscar. Naqueles dias de 1997, a festa ainda era só dos
conquistenses.
Por atuar na logística local, tínhamos
acesso irrestrito às filmagens: assistíamos às gravações no final da tarde (que
no filme aparecem como o amanhecer quando a personagem Dora vai embora), víamos
os ensaios meticulosos de Matheus, buscando se alimentar do sotaque e do
palavreado local; Vinícius de Oliveira e Caio Junqueira jogando bola nos
intervalos. Podíamos assistir in loco
a atuação de “Dona” Fernanda, como todos respeitosamente a chamavam, e neste
momento era perceptível como certas pessoas têm, de fato, uma aura visível de
dignidade, para além de qualquer notoriedade. Conversávamos com membros da
equipe que despontariam tempos depois no cinema brasileiro, a exemplo de Kátia Lund, co-diretora
de Cidade de Deus. Há cenas, costumo dizer, que se a câmera pudesse magicamente
sair do enquadramento e se deslocar para o lado por um momento, estaríamos nós
ali sentados, vendo e vivendo tudo aquilo.
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| Jorge Melquisedeque entrevista Fernanda Montenegro |
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| Fotos: Arnaldo Ribeiro |
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| Foto: Edna Nolasco |
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Documentários Fake, mas nem tanto
Por
Marcelo Lopes
Há uns três anos, fui surpreendido ao
chegar à casa de uma amiga e encontrá-la, junto com outros conhecidos dela,
todos de cabelo em pé. Eles acabavam de assistir a uma história pavorosa registrada
por um casal em sua residência, um material “documental” que havia acabado de chegar
às locadoras. Motivo do pavor: muitos deles realmente acreditaram que as assombrações
contidas no filme “Atividade Paranormal” eram reais.
O fenômeno não é novo. Ainda no início
de 1980, um dos exemplos mais conhecidos deste tipo de narrativa fake foi o filme “Canibal Holocausto”,
do italiano Ruggero Deodato, com roteiro de Gianfranco Clerici .
Filmado na Amazônia, narra a história de um grupo de pesquisadores que
pretendiam fazer um documentário sobre tribos indígenas, mas que acabaram
mortos, restando deles apenas as fitas do registro de viagem. O gênero, que ficou
conhecido como Monkumentary (mock: falso
+ documentary: documentário) também teve seus momentos de fenômeno na década de
1990 com “A Bruxa de Blair”, filmagem “verídica” de três estudantes que
desapareceram em uma floresta enquanto investigavam a lenda urbana de uma bruxa;
um dos filmes mais lucrativos da recente cinematografia mundial, com um
investimento de 100 mil dólares e uma arrecadação de 250 milhões.
Mas nem tudo é
terror. Uma das produções mais interessantes que descobri nos últimos tempos
trata, de forma irônica e inteligente, da nossa querida realidade brasileira. O documentário de curta-metragem
"MPB: A história que o Brasil não conhece", que circula na internet
desde abril, é baseado no livro "Firework Operation", de Neil
Jackman, e revela um plano conspiratório do governo americano e totalmente
desconhecido por boa parte dos brasileiros: a destruição da música brasileira.
O curta conta como o compositor Michael Sullivan, ao lado de Paulo Massadas, autores
de tantas versões americanas para trilhas de novelas e grupos musicais
infantis, eram, na verdade, agentes infiltrados pelos Estados Unidos no país,
com o objetivo de subverter a música
popular no Brasil. Ao lado deles também
estariam outros como Oswaldo Montenegro, em Brasília, Humberto Gessinger, no
Rio Grande do Sul, e Compadre Washington, na Bahia. A história inventada – do filme e do
livro – deu tão certo que artistas como Margareth Menezes pediram para dar
depoimento sobre sua visão da conspiração após assistir ao curta, querendo
inclusive ler o texto original de Neil Jackman. Resultado: a proposta começa a
virar série, em canal próprio no Youtube, já com um segundo capítulo disponível.
O mais interessante - fora a óbvia
anedota - é que a pauta sobre o emburrecimento da música brasileira é mais do
que verídica. Se antes, temas da cultura popular voltadas para o
desenvolvimento musical geravam uma diversidade artística que iam da Bossa Nova
e o Samba até o Rock e um pop mais atento a letras e melodias, me parece que a
única pauta possível hoje em dia é a festa: tudo o que der em festa dá música.
E por isso, letra e melodia não importam muito. Do que chamam de Agromúsica ao
estilos sacolejantes do funk e arrocha, aos subgêneros mais surreais como Melody
Cyber Carimbó Universtário (existe mesmo, pode procurar), tudo é passível de
ser pior.
Como dinheiro é sim uma coisa que mexe
com a cabeça das pessoas – juro – estou aqui pensando em montar um cursinho pré-vestibular
para garantir a vaga de novos sertanejos, arrocheiros e demais pretendentes ao
gênero universitário. Se não se pode vencê-los....
Ironias à parte, confiram mais este monkumentary. Vale o clique.
Ironias à parte, confiram mais este monkumentary. Vale o clique.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Filme da Semana no Janela
Release
do Programa
O Janela Indiscreta Cine-Vídeo Uesb,
na ação Cinema na Uesb desta terça-feira, 28, apresenta, na mostra temática “Cinema além das sete
cores: um olhar sobre a diversidade”, o longa nacional “Elvis e Madona” (2011), do diretor
Marcelo Laffitte. A exibição será às 19 horas, no Teatro Glauber Rocha, com entrada
franca e classificação de 14 anos. O professor João Diógenes, do DFCH/Uesb,
fará o comentário logo após o filme.
Sobre o filme:
Elvis (Simone Spoladore) sonha em ser
fotógrafa, mas a necessidade de sustento faz com que aceite o emprego de
entregadora de pizza. Madona (Ígor Cotrim) é uma travesti que trabalha como
cabeleireira. Ela sonha em produzir um show de teatro de revista. Logo após
conhecer Elvis, que é homossexual, elas se tornam grandes amigas. Mas, pouco a
pouco, nasce um sentimento mais forte que a mera amizade.
Mais informações:
www.janelaindiscretauesb.com.br/ (77)
3425-9330.
Trailer:
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Palestra de Ariano Suassuna em Conquista
Por Marcelo Lopes
Dramaturgo. Poeta. Romancista. Nascido
em 1927, na Paraíba, construiu muito da sua história literária em Recife,
Pernambuco. Ariano Suassuna é dessas figuras emblemáticas da cultura brasileira,
aguerrido defensor do nosso patrimônio material e imaterial, de onde bebe
incansavelmente nos elementos mais fundamentais para compor sua obra.
Dono de um senso de humor muito
inteligente, doce e ácido ao mesmo tempo, comove pela entrega à paixão com que
defende e exalta os valores brasileiros.
O autor de “Auto da Compadecida” e “A Pedra do Reino”, abriu a segunda edição do Festival da Juventude, em Vitória da
Conquista, no último dia 10 de Maio de 2013.
Para os que não puderam assistir, aí
vai mais uma das chamadas aulas-espetáculos do mestre da literatura. Sempre um
tributo àquilo que chamamos Brasil.
Registro da palestra de abertura da segunda edição do Festival da Juventude com o dramaturgo e poeta Ariano Suassuna, em Vitória da Conquista (BA), dia 10 de Maio de 2013. Produção e edição Secom/Pmvc.
Postado por
Marcelo Lopes
às
21:15
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