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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Sites integrados sobre cultura

Por Marcelo Lopes


 
O documentário “Contra o Veneno Peçonhento do Cão Danadoé a primeira produção do projeto Memórias da Cultura Popular, realizado pelo Instituto Manacaru de Inclusão Sociocultural e parceiros como a produtora TV Local, a Catrupia Produções, a Cia Operakata de Teatro e a Ong Carreiro de Tropa – Catrop. O projeto tem por finalidade a reflexão e o registro de saberes populares, calcados nos mais diversos temas da história cotidiana. Na produção do documentário tratará de registrar os causos populares em torno de pessoas – historicamente anônimas ou conhecidas – que, segundo a crença popular, têm seu corpo fechado ao ataque de armas de fogo, arma branca e outros “poderes” de resguardo físico. Alinhavando narrativas de guerra e violência, disputas de poder político e mitos populares, o curta pretende dar conta principalmente de um universo histórico e mágico que vem se perdendo na contraposição do campo com a urbanização dos nossos dias.

Realizado pela produtora TV Local, em co-produção com o Instituto Mandacaru e o portal Sintoma de Cultura, o documentário “Contra o Veneno Peçonhento do Cão Danado” é uma proposta aprovada no Edital Setorial de Audiovisual 12/2012, do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, Secretaria da Fazenda e Fundo de Cultura da Bahia – FCBA.

No dia 03 de Julho (quarta-feira), às 19h, na sede da Rede de Atenção da Criança e do Adolescente / PMVC (na praça Tancredo Neves) a equipe responsável pela realização do documentário lançará o site oficial do curta-metragem para a imprensa e parceiros. Na oportunidade serão apresentadas as propostas conjuntas do novo formato do site Sintoma de Cultura e a inauguração do espaço virtual documentário, onde serão disponibilizadas diversas informações sobre o tema da cultura popular e do patrimônio imaterial, com textos, fotos e depoimentos, além do diário de produção do curta.

Sobre o Sintoma de Cultura

Em Maio de 2013 o blog Sintoma de Cultura fez seu primeiro ano. Uma experiência bastante interessante: disponibilização da produção de textos (novos e antigos) sobre cultura, postados com certa regularidade, tratando de temas diversos, sendo compartilhados, discutidos, criticados e, sobretudo, utilizados como forma de estímulo à reflexão sobre temas caros ao nosso dia-a-dia. Mesmo não premeditado, o projeto – mais instintivo que planejado – tomou uma repercussão curiosa, apontou caminhos que não estavam na pauta e o resultado de tudo isto hoje está quase parido: a partir do dia 03 Julho de 2013 o Sintoma passa a atuar como portal de cultura.

A ideia central é a produção coletiva de conteúdos com espaço partilhado para relatos experiências culturais diversas, artigos, criações audiovisuais, fotografia, música, artes plásticas e todo um universo de criação artística e simbólica que permita pensar a cultura de forma mais ampla. Assim, iniciativas oriundas de qualquer parte do país podem contribuir com ideias e experiências. O espaço do blog será mantido no novo domínio, mas haverá ainda outros desdobramentos, como a própria atividade do projeto Memórias da Cultura Popular e a produção do documentário “Contra o Veneno Peçonhento do Cão Danado”.

A proposta do projeto segue existindo ancorada na ideia fundamental do compartilhamento de ideias, anúncios comerciais e/ou nenhuma outra vinculação que comprometa sua essência. O endereço do Sintoma no Blogspot será mantido apenas como arquivo para que seus links originais ainda continuem sendo acessados, mas praticamente todas as suas postagens serão transferidas para o novo domínio, facilitando comentários, interatividades e compartilhamentos.

Espero que gostem, acessem, leiam, compartilhem e contribuam.

Até lá...

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Documentários Fake, mas nem tanto

Por Marcelo Lopes

Há uns três anos, fui surpreendido ao chegar à casa de uma amiga e encontrá-la, junto com outros conhecidos dela, todos de cabelo em pé. Eles acabavam de assistir a uma história pavorosa registrada por um casal em sua residência, um material “documental” que havia acabado de chegar às locadoras. Motivo do pavor: muitos deles realmente acreditaram que as assombrações contidas no filme “Atividade Paranormal” eram reais.

O fenômeno não é novo. Ainda no início de 1980, um dos exemplos mais conhecidos deste tipo de narrativa fake foi o filme “Canibal Holocausto”, do italiano Ruggero Deodato, com roteiro de Gianfranco Clerici . Filmado na Amazônia, narra a história de um grupo de pesquisadores que pretendiam fazer um documentário sobre tribos indígenas, mas que acabaram mortos, restando deles apenas as fitas do registro de viagem. O gênero, que ficou conhecido como Monkumentary  (mock: falso + documentary: documentário) também teve seus momentos de fenômeno na década de 1990 com “A Bruxa de Blair”, filmagem “verídica” de três estudantes que desapareceram em uma floresta enquanto investigavam a lenda urbana de uma bruxa; um dos filmes mais lucrativos da recente cinematografia mundial, com um investimento de 100 mil dólares e uma arrecadação de 250 milhões.

Mas nem tudo é terror. Uma das produções mais interessantes que descobri nos últimos tempos trata, de forma irônica e inteligente, da nossa querida realidade brasileira.  O documentário de curta-metragem "MPB: A história que o Brasil não conhece", que circula na internet desde abril, é baseado no livro "Firework Operation", de Neil Jackman, e revela um plano conspiratório do governo americano e totalmente desconhecido por boa parte dos brasileiros: a destruição da música brasileira. O curta conta como o compositor Michael Sullivan, ao lado de Paulo Massadas, autores de tantas versões americanas para trilhas de novelas e grupos musicais infantis, eram, na verdade, agentes infiltrados pelos Estados Unidos no país, com  o objetivo de subverter a música popular no Brasil.  Ao lado deles também estariam outros como Oswaldo Montenegro, em Brasília, Humberto Gessinger, no Rio Grande do Sul, e Compadre Washington, na Bahia. A história inventada – do filme e do livro – deu tão certo que artistas como Margareth Menezes pediram para dar depoimento sobre sua visão da conspiração após assistir ao curta, querendo inclusive ler o texto original de Neil Jackman. Resultado: a proposta começa a virar série, em canal próprio no Youtube, já com um segundo capítulo disponível.

O mais interessante - fora a óbvia anedota - é que a pauta sobre o emburrecimento da música brasileira é mais do que verídica. Se antes, temas da cultura popular voltadas para o desenvolvimento musical geravam uma diversidade artística que iam da Bossa Nova e o Samba até o Rock e um pop mais atento a letras e melodias, me parece que a única pauta possível hoje em dia é a festa: tudo o que der em festa dá música. E por isso, letra e melodia não importam muito. Do que chamam de Agromúsica ao estilos sacolejantes do funk e arrocha, aos subgêneros mais surreais como Melody Cyber Carimbó Universtário (existe mesmo, pode procurar), tudo é passível de ser pior. 

Como dinheiro é sim uma coisa que mexe com a cabeça das pessoas – juro – estou aqui pensando em montar um cursinho pré-vestibular para garantir a vaga de novos sertanejos, arrocheiros e demais pretendentes ao gênero universitário. Se não se pode vencê-los.... 

Ironias à parte, confiram mais este monkumentary. Vale o clique.





sexta-feira, 31 de maio de 2013

Projeto do Grupo Galpinho forma novas plateias


Release do Evento

Foto: Rayza Lélis
O Grupo Galpinho de Teatro vem desenvolvendo um trabalho fundamental de formação de novos públicos na região sudoeste da Bahia. Apresentando o espetáculo “... E se eu fosse?” por meio do projeto Tem Que Iniciar, contemplado pelo Programa do Banco do Nordeste de Cultura, o grupo vem circulando pelo interior baiano a fim de partilhar seu processo criativo, popularizar o acesso às artes cênicas, contribuir para a formação de público para o teatro e estimular a produção artística.

O projeto, que vem sendo realizado em quatro cidades baianas - Vitória da Conquista, Ibirataia, Poções e Planalto, é composto por três ações: Oficina de Iniciação Teatral, apresentação do espetáculo e bate-papo. A experiência nestas as cidades promove o estímulo à arte cênica em espaços que muitas vezes nunca tiveram a possibilidade de vivenciar apresentações do gênero.


Sobre o conceito do espetáculo

ACREDITANCIAS

Foto: Rayza Lélis
...E se eu fosse outro? ... E se eu ficasse? ... E se eu partisse? ... E se o mundo parasse pra eu pensar? ... E se não parasse? ... E se eu não tivesse medo do medo?

“...E se eu fosse?” é um espetáculo que trata o momento de pré-decisão de uma família questionando o seu lugar no mundo e o seu destino. A mãe, mulher da lida e do trabalho cuja ação constrói e dá materialidade às coisas, é tomada por um desejo irrefutável de ver as nuvens grisalhas de outros céus e experimentar outros caminhos e outras vivências. Ela tenta convencer o marido e os dois filhos a se aventurarem para além do lugar conhecido.


O espetáculo trata de questões agudas como farpas, mas com lirismo e leveza ao invés da secura, violência e dor. Apropria-se de um mote regionalista para tratar de questões universais, abordando poeticamente uma questão inerente à existência humana: a dúvida entre partir ou ficar. Aqui, a retirança não é fuga da morte, e sim sede de vida e de inteireza.

Na sua etapa final desta primeira edição as próximas apresentações acontecerão nos seguintes espaços:

Dia 31/05
Escola Erasthostenes Meneses (Distrito de Iguá) - 17h
Dia 01/06
Centro de Referência em Assistência Social (Bairro Vila América) - 16h



Direção e Produção: Izis Mueller
Atores: Daniela Lisboa, Iara Barbosa, Eduardo Oliveira
Figurino: Shirley Ferreira
Cenografia: Izis Mueller
Trilha Sonora Autoral: Eduardo Oliveira
Texto: Juliana Leite
Fotografia, Iluminação e Design Gráfico: Rayza Lélis