A SEDA - Semana do Audiovisual é um festival integrado de cinema
realizado pelo Circuito Fora do Eixo, que conta com 150 pontos
espalhados por todos os 26 estados brasileiros (+ DF), 7 países da
América Latina e NY (EUA). Em Vitória da Conquista, a programação
contará com mostras, oficinas teóricas e práticas, debates, shows e
outras atividades responsáveis por promover a intersetorialidade do
audiovisual com outros segmentos artísticos. O projeto será realizado
durante os dias 11, 12 e 13 de Julho no Centro Integrado Navarro de
Brito e viela Sebo-Café (shows).
A SEDA está em seu segundo ano e tem como tema o “Audiovisual como
instrumento educador”, por isso a escolha do Centro Integrado para
receber a maior parte da programação da Semana. O colégio é referência
no audiovisual em Vitória da Conquista devido à realização do projeto
“Encinemando”, que já está em torno dos seus 15 anos. O Encinemando é um
concurso realizado pela escola em que cada grupo formado por alunos do
primeiro ano do Ensino Médio cria o seu próprio filme, desde os
primórdios, e apresenta para toda a instituição.
A parte diurna da programação será marcada por mostras, oficinas e
debates, enquanto a noturna com os shows das bandas Camarones Orquestra
Guitarrística e Vivendo do Ócio (dia 12), além da homenagem ao Dia
Mundial do Rock com Maglore cantando Beatles e cantando também seu
repertório autoral (dia 13).
LANÇADO REGULAMENTO DO 7º ENCONTRO
NACIONAL DE CINEMA E VÍDEO
DOS SERTÕES - 2012
O 7º Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos
Sertões é uma festival nacional de cinema e vídeo com atenção especial para as
produções cinematográficas produzidas em Pontos de Cultura e Produtoras
Independentes. Acontecerá entre os dias 07 a 11 de novembro de 2012.
O Encontro foi selecionado pelo Programa Petrobras
Cultural e tem o patrocínio da Petrobras. O objetivo é divulgar, exibir e
premiar obras audiovisuais de curtas e longas-metragens de ficção, documentário
e animação, apresentando uma parcela significativa da recente produção
brasileira; formar plateias; reunir profissionais de cinema para discutir
questões pertinentes à área; promover encontros, seminários, debates, oficinas,
palestras, cursos de formação teórica e prática e contribuir para difusão das
obras selecionadas.
Na edição 2012 o Encontro irá oferecer prêmios
para os filmes selecionados nas categorias longas e curtas metragens de
produtoras independentes e de Pontos de Cultura de todo o Brasil. Os filmes de
longa-metragem selecionados receberão por sua exibição um prêmio de R$ 1.000,00
(um mil reais) cada, já os filmes de curta-metragem receberão por sua exibição
um prêmio de R$ 500,00 (quinhentos reais) cada.
As inscrições para a competição e todas as
atividades paralelas do 7º Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões são
gratuitas e estão abertas de 01 de julho a 14 de agosto de 2012, no Complexo
Cultural Cidade Cenográfica, Floriano/PI ou pelos correios.
Vitória da Conquista, segundo
o censo do IBGE de 2010 tem 310.129 habitantes, sendo a terceira maior cidade
do estado e influencia facilmente do ponto de vista econômico e cultural cerca
dois milhões de pessoas. Sua forte característica de atividades voltadas
principalmente para o comércio de bens e serviços (tendo destaque inclusive no
setor educacional), põe a cidade no foco de inúmeros investimentos, acelerando
o fluxo de pessoas que transitam e consomem o que aqui é oferecido.
É perceptível que a dinâmica
das atividades culturais nos últimos dez anos tem tomado um porte considerável.
Música, teatro, dança, audiovisual, manifestações da cultura tradicional,
eventos de grande porte, iniciativas individuais e coletivas, premiações em
seleções públicas de editais em todo o Brasil para a realização de ações
culturais. Tudo isso pressupõe profissionais capacitados, mas principalmente
estruturas adequadas para dar sustento a gama de atividades que vem crescendo e
dando espaço a novas frentes da economia criativa na região.
Mas não exatamente assim que
isso acontece.
O município ainda hoje
enfrenta o impasse de questões fundamentais: não dispõe efetivamente de um
Cento de Convenções (embora esta seja uma necessidade gritante não apenas nas
atividades culturais, fazendo com sejam usados espaços alternativos quase
improvisados); não conta com equipamentos públicos de cultura no lado oeste da
cidade (não vale contar o SESC, que é uma entidade privada), sinal de um
estigma ainda presente numa cidade cortada ao meio pela BR 116; não tem um
aeroporto compatível com a demanda de uma economia polarizante (e as discussões
sobre isso vêm ocupando mais os discursos político-partidários do que os encaminhamentos
efetivos para a construção de uma nova estrutura, muito embora a sociedade
civil se movimente e muito para que isso se concretize rapidamente).
Num cenário em que as
necessidades de suporte para a cultura são gritantes é incompreensivel que questões
como a implantação do Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil fique
relegada a discussões tão pobres, desviando a atenção de temas mais importantes
para polêmicas fora do eixo. Isso vem atrasando o processo e nos privando de um
espaço privilegiado para a Cultura. Por isso, seguem algumas informações básicas:
-
Por estar sendo cedida pela administração municipal (entidade pública) para o
BNB (outra entidade pública) para construção do CCBNB, a Praça Sá Barreto será
adotada e beneficiada com espaços de lazer, ciclovias, parques e jardins,
otimizando os espaços da área que hoje é extremamente subutilizada;
-
O CCBNB será a primeira edificação do Programa construído especialmente para
este fim no Brasil e por isso terá uma dinâmica arquitetônica muito bem pensada
(sem precisar de adaptações como em outros lugares). Contará com anfietatro,
galeria de exposições, uma biblioteca especializada em temas culturais, além de
se tornar um espaço de convívio de excelência no município;
-
As programações devem privilegiar a circulação de produção cultural de todo o
nordeste, levando e trazendo talentos de diversas áreas para se apresentarem no
CCBNB, com foco no acesso democrático a todos em Vitória da Conquista.
Deixo
aqui meu apoio pessoal à iniciativa, consciente de que não haverá projeto algum
que se materialize de forma ideal, mas que sua efetiva realização
potencializará o que já existe, dando trânsito a inúmeras expressões artísticas
locais e de todo o Nordeste.
Cultura
é um direito real de todos para sua efetiva realização e participação. Vai
muito além do que a sensação que alguns têm de se tratar de uma concessão
político-partidária a talentos pulverizados por aí, moldados para o
entretenimento da população.
Amigos ao som de muita música regional. A cultura nordestina entoada entre os papos "cumpadrísticos" de Alisson Menezes, Gutemberg Vieira (Gutemba) e Paulo Gabiru.
Esta é a programação da próxima sexta-feira 13 de muita sorte para o público que assistir ao encontro destes talentos baianos. Promovida pela Catrupia Promoções e o Instituto Mandacaru, o evento acontecerá no Teatro Carlos Jehovah, às 20h30, com ingressos a R$ 10,00.
É ainda com o susto e com o coração apertado que me
despeço hoje do amigo Miguel Côrtes, que nos
deixou ainda enquanto dormia, na manhã dessa quinta-feira (05/07). As causas do seu falecimento
ainda não foram divulgadas. Fica aqui o meu abraço para esse cara que
movimentou o cenário cultural de Vitória
da Conquista.
Miguel era radialista,
reponsável pelo programa de Rádio Som da Tribo e por inúmeras atividades
voltadas para a música em Conquista, onde encontrou inúmeros parceiros e
amigos. O mês de aniversário do Rock se veste de luto.
Aos que admiravam (e
ainda admiram) a trajetória dessa figura fantástica, fica a sugestão: postem o
nome de uma música que lembrem nosso grande Miguel. Seu ouvido e coração
sempre foram sensíveis a essa forma de arte e com certeza ela estará ouvindo
onde estiver.
Chamada Pública Mobilidade Artística e Cultural - 3ª capa da edição de julho de 2012.
Atenção artistas baianos ou que morem na Bahia há pelo menos 03 anos: se você tem algum projeto de residência, de intercâmbio e difusão e de
formação artístico-culturais no Brasil e no exterior que aconteça a
partir de 30 de setembro, você pode se inscrever neste edital até 22 de
julho!
Cercada
por um muro simples, coberto com palhas de coqueiro, o primeiro espaço de
exibição de Vitória da Conquista tinha um o cinematógrafo manual com um
aparelho gerador da luz do projetor à carboreto. Era 1912 e a casa de exibição de
propriedade do Sr. Jacinto Sampaio, na Travessa Coronel Pompílio, atual
Zeferino Nunes, inaugurava uma era importante da sociabilidade conquistense.
A magia daquele cinema, ainda
mudo, formou gerações inteiras. Os demais espaços que se seguiram a partir de 1917
(Cinema Jurandyr, o Cine Iris, Cinema Ideal, Odeon Cinema, Cine Conquista), foram
fundamentais para a fixação de uma atividade cultural que congregava famílias
mais diversas; dos mais humildes aos mais ilustres, com ingressos que variavam de um a dois mil réis para
adultos e a metade para os de menor idade, de acordo a espécie do filme a ser
exibido.
Vitória da Conquista chegou a ter cinco salas de
cinema funcionando de vento em polpa - e simultaneamente - na década de 1970:
Riviera, Glória, Eldorado, Madrigal e Trianon. Afetados pela nova conjuntura nacional
e mundial, um a um estes cinemas de rua foram fechados, tendo seus espaços transformados
em comércio ou igrejas evangélicas. Isto devido principalmente a mudança da
relação do espectador com o filme, seja pela popularização dos suportes
técnicos de exibição como o vídeo cassete, seja pela transformação no perfil de
consumo de cinema em salas de exibição voltadas para a dinâmica dos shoppings centers.
Exatos oitenta anos após a primeira sala de cinema em
Conquista e depois das experiências de cineclubes como o Glauber Rocha, na
década de 1970, do próprio Glauber como cineasta internacionalmente reconhecido,
e de inúmeras tentativas de manter a paixão de cinema viva em experiências coletivas
e individuais, nascia no final de 1992, na Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia, o Programa Janela IndiscretaCine-Vídeo Uesb. A iniciativa se inaugurava pela inquietação cinematográfica
de dois técnicos administrativos da instituição, Jorge Melquisedeque e Esmon
Primo. Curiosamente, a ideia não surgia, como se poderia esperar dentro de uma
universidade, pela proposição de alguma iniciativa acadêmica e sim pelo notório
saber de cinéfilos em ação. Essa característica demonstrou, desde sempre, a
essência de uma experiência movida pela paixão e reconhecimento do valor social
da sétima arte. Ao longo do tempo a prática que se tornou projeto alcançou importantes
marcos na história recente do audiovisual conquistense.
Faço um parêntese aqui porque é impossível para mim
falar de forma distanciada deste ponto em diante. Fui frequentador assíduo do
Janela desde 1992 e, em 1994, passei a integrar o Programa. De 1996 a 2007 participei
com membro da equipe coordenadora ao lado de Jorge, Esmon, Milene Gusmão,
Raquel Costa e Euclides Mendes, além de Alzilene Silva, Eliana Mendes, Michelly Antunes, Lino,
Henrique, Eduardo Eugênio e Georgen, somente para citar alguns de meus
contemporâneos. Muitas outras pessoas integraram o projeto em todos estes anos e
seria grande a lista para enumerar. Em comum, no entanto, a mesma paixão e
inquietude em relação ao cinema.
De um projeto inicialmente ancorado apenas na extensão
acadêmica, o Janela se desdobrou naturalmente em ações de ensino e pesquisa,
estendendo suas potencialidades. Colabora hoje com conquistas formidáveis nos
programas de graduação (possibilitando, inclusive, a criação do curso de Cinema
e Audiovisual em 2010) e pós-graduação da instituição, graças, sobretudo, ao
olhar atento de sua coordenadora geral, Milene Gusmão. O Janela alcançou o
respeito e a admiração em todo o país pelas suas inúmeras contribuições para a
formação de multiplicadores das ideias do cinema e do audiovisual como fonte de
conhecimento e espaço de debates importantes nas mais diversas manifestações da
economia da cultura, além de se tornar referencial de formação de público, sobretudo
para o cinema brasileiro.
Este ano, no dia 27 de Novembro, o Janela Indiscreta
Cine-Vídeo Uesb faz vinte anos ao lado do centenário da história do cinema em
Vitória da Conquista. Uma celebração pessoal para muitos e abrangentemente rica
para toda uma região que pode experimentar o olhar generoso sobre uma arte e uma
prática reveladora da nossa própria identidade e potencialidades.
Convido-os a comemorem conosco com este mesmo olhar
generoso sobre tudo o que se pode aprender com o cinema.