quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Terror para a hora de dormir


Por Marcelo Lopes

O gênero Terror é uma curiosa classificação no cinema: define tipos de filmes que de alguma maneira têm o medo como elemento narrativo na sua construção imagética, que se prende ao nosso imaginário e estímula àquilo que de alguma forma nos faz sentir próximos do perigo, mesmo que irreal.
O que dá medo em uma determinada pessoa nem sempre é o que poderia assustar outra. Muitos sustos ou histórias de terror podem mesmo provocar o riso se não tiverem o cuidado exato na forma de tratar seus temas.
Assim, guardei aqui uma lista interessante de filmes que acredito manterem uma boa dose de suspense embebidas no álcool dos nossos receios escondidos, fantasias e batimentos acelerados. Recomendado para aquelas duas horas noturnas que guardamos antes de ir para a cama .


O Sexto Sentido (The Sixth Sense) – 1999
“O psicólogo infantil Malcolm Crowe (Bruce Willis) abraça com dedicação o caso de Cole Sear (Haley Joel Osment). O garoto, de 8 anos, tem dificuldades de entrosamento no colégio e vive paralisado de medo. Malcolm, por sua vez, busca se recuperar de um trauma sofrido anos antes, quando um de seus pacientes se suicidou na sua frente.”
Nunca comentem o final com alguém que nunca assistiu este filme... alguém pode morrer por isso.


Psicose (Psycho) 1960
“Cansada da vida que leva, a secretária Marion Crane rouba US$ 40 mil que deveria guardar para o chefe e foge para a Califórnia, onde encontrará o namorado. No caminho, hospeda-se num motel, onde é atendida por Norman Bates, o estranho dono do estabelecimento que parece ser dominado pela mãe”.
Clássico filme de AlfredHitchcock, Psicose é uma referência aos filmes de terror ainda hoje, não apenas pela medida certa de suspense, mas por mostrar que o perigo pode estar até mesmo no trato cortês de um atendente de hotel.


O Exorcista (The Exorcist) 1973
“Com a piora gradual dos sintomas de dupla personalidade da filha de doze anos, uma atriz descobre, com a ajuda de um padre, que a garota está possuída pelo demônio”.
Qualquer um que já esteve perto de alguém possesso sabe o medo que isto dá... principalmente se for alguém próximo, como seu chefe.


O Iluminado (The Shinning) 1980
“Um vigia, acompanhado por sua esposa e filho em um hotel pouco procurado na temporada de inverno, passa a ver coisas estranhas e a ser perseguido por forças sobrenaturais”.
Terror cozido em banho-maria, cercado de muito gelo.


Poltergeist – O fenômeno (Poltergeist) 1982
“Tudo começa com a menina conversando com o aparelho de TV e móveis que se movem sozinhos, até que em uma noite, durante uma tempestade, Carol Anne desaparece dentro do armário de seu quarto. Por acaso, em um canal de TV sem sinal, a família pode ouvir sua voz e se comunicar com a garota. Os Freeling procuram uma equipe de parapsicólogos e uma poderosa médium para trazer Carol Anne de volta, mesmo tendo que enfrentar um mundo desconhecido, espíritos furiosos e manifestações demoníacas dentro da própria casa, que esconde um segredo terrível”.
Portas batendo sozinhas e outros fenômenos inexplicáveis estão no repertório assombroso de qualquer conversa de crianças e adolescentes. Coloque tudo isso sob a batuta da produção de StevenSpielberg e a coisa fica quase lá em casa.


O Silêncio dos Inocentes (The silence of the lambs) 1991
“Uma inteligente trainee do FBI é enviada a um hospital para criminosos insanos a fim de contatar o doutor canibal Hannibal Lecter. Sua missão é convencer o louco médico a ajudá-la a resolver o caso de um psicótico assassino em série”.
Quem disse que só porque o sujeito é psicopata e antropófago ele não pode ter estilo?


Nosferatu (Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens) – 1922
“Hutter (Gustav von Wangenheim), agente imobiliário, viaja até os Montes Cárpatos para vender um castelo no Mar Báltico cujo proprietário é o excêntrico conde Graf Orlock (Max Schreck), que na verdade é um milenar vampiro que, buscando poder, se muda para Bremen, Alemanha, espalhando o terror na região. Curiosamente quem pode reverter esta situação é Ellen (Greta Schröder), a esposa de Hutter, pois Orlock está atraído por ela”.
Ainda hoje o vampiro mais feio da história do cinema.


O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby) – 1968
“Rosemary e seu marido mudam-se para um apartamento em Nova York onde encontram uma vizinhança bastante estranha. Quando Rosemary (Mia Farrow) engravida, ela passa a ter alucinações. Uma seita de bruxas deseja que Rosemary de a luz ao filho das Trevas”.
Lição de como é possível induzir o assombro apenas com a sugestão do medo.



O Chamado (The Ring) - 2002

“Rachel Keller (Naomi Watts) é uma jornalista que decide investigar a misteriosa morte de sua sobrinha. Ela percebe a relação da morte dela e de várias outras mortes com um estranho vídeo, que faz com que todas as pessoas que o assistam morram exatamente sete dias depois. Intrigada com a história, ela agora precisa descobrir um meio que impeça que a profecia se realize, já que ela e seu filho assistiram ao vídeo.”


Atividade Paranormal 1,2 e 3 (Paranormal Activity) 2009, 2010, 2011.
“Desde criança Katie (Katie Featherston) ouve ruídos estranhos, sussurros e sente sensações inesperadas. Já adulta, ela mora com seu namorado Micah (Micah Sloat), que meio cético quanto aos depoimentos resolve usar uma câmera para gravar tudo o que acontece enquanto eles dormem e vivem dentro da casa. E o que era para ser apenas uma forma de esclarecer o mistério, torna-se uma experiência intrigante e assustadora”.

“Kristi (Sprague Grayden), irmã de Katie (Katie Featherston), teve recentemente um filho com Daniel (Brian Boland), que já era pai de uma adolescente. Um dia, ao chegarem em casa, a encontram completamente revirada. Tentando evitar que a situação se repita, Daniel compra um sistema de segurança que instala câmeras em diversos cômodos e no lado de fora da casa. Ao mesmo tempo o casal e a adolescente têm por costume filmar tudo o que acontece ao seu redor. Até que um dia situações estranhas começam a acontecer, o que faz com que o trio acredite que a casa é mal assombrada”.

“Dennis (Christopher Nicholas Smith) adora filmar e possuí até uma ilha edição em casa, montada na garagem. Casado com Julie (Lauren Bittner), com quem tem duas lindas filhas Katie (Chloe Csengery) e Kristi (Jessica Tyler Brown), ele resolve propor a ela que seja feita uma filmagem de uma transa dos dois. O que ele não contava é que um terremoto iria atrapalhar o momento de fetiche, mas também revelaria uma estranha imagem em sua gravação. Curioso com o fato, ele mostra para a esposa que não liga e também para um amigo (Dustin Ingram), que fica igualmente intrigado. Os dois acabam instalando mais de uma câmera na casa e o que eles passam a ver marcará para sempre o futuro de todos”.

Seguindo a lógica de “poderia ter sido feito por mim mesmo com aquela câmera vagabunda que eu peguei emprestado ontem”, o que chama a atenção destes tipos de filmes é a textura quase amadora dos “registros” sobrenaturais.

Carrie, a Estranha (Carrie) – 1976
“Carrie White é uma jovem que não faz amigos em virtude de morar em quase total isolamento com sua mãe, uma pregadora religiosa fanática. A garota é menosprezada pelas colegas e Sue Snell, uma das alunas que zombam dela, fica arrependida e pede a seu namorado que convide Carrie para um baile no colégio. Mas Chris Hargenson, uma aluna que foi proibida de ir à festa, prepara uma armadilha para ridicularizar Carrie em público. O que ninguém imagina é que a jovem possui poderes paranormais e muito menos conhece sua capacidade de vingança quando está repleta de ódio.”


Sexta feira 13 (Friday the 13th) – 1980
“Depois de muito tempo fechado, alguns monitores vêm passar uns dias no local que por muitos ficou conhecido como o “Acampamento Sangrento”. Ignorando os avisos, eles preferem se divertir e passar o final de semana cantando e fazendo amor. Mas não esperavam que alguém fosse brincar de “Mate o Monitor”. Assim, um por um eles vão morrendo sem que os outros descubram”.
Este segue a regra do original-é-sempre-o-melhor.


Cemitério Maldito (Pet Sematary) – 1989
“Recentemente os Creeds se mudaram para uma nova casa nos arredores de Chicago. A casa é perfeita, exceto por duas coisas: os reboques, que vivem fazendo barulho na estrada, e o misterioso cemitério no bosque atrás da casa. Os vizinhos dos Creeds estão relutantes em falar sobre o cemitério e eles tem um bom motivo para tal comportamento. Gradativamente o casal toma conhecimento da verdade e ficam chocados ao saberem do perigo que seus filhos correm. Quando o gato da família morre atropelado, eles o enterram em um cemitério índio que tem o poder de ressuscitar o que for deixado naquele terreno, mas as consequências são inimagináveis”.
Mais um ótimo filme baseado em livros de Stephen King.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Memória de Minhas Putas Tristes agora é filme


Por Marcelo Lopes

Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. Naquela tarde, de regresso para casa outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego.” 


O trecho é de uma das mais doces passagens do livro “Memória de Minhas Putas Tristes”, de Gabriel Garcia Márquez. O escritor colombiano recebeu o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra, que entre outros inclui os aclamados livros Cem Anos de Solidão, Amor nos Tempos do Cólera e Crônica de uma Morte Anunciada. O autor foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Gabito, como também é conhecido, se aposentou da produção Literária em 2009, quando foi diagnosticado com uma doença degenerativa, que em nada lhe afeta fisicamente, mas ironicamente, passou a lhe tirar a memória, fonte da criação de personagens inesquecíveis da literatura universal.

Em 2011, Memória de minhas Putas Tristes foi tomado pelas mãos do diretor dinamarquês HenningCarlsen, trazendo para as telas a história o cético El Sabio, que às vésperas de completar 90 anos resolve se dar como presente uma noite de amor com uma adolescente virgem, aquela que viria a ser a sua "delgadinha". O velho jornalista de um pequeno povoado do México vê-se, assim, enredado nas sutilezas de um envolvimento construído na ternura, levando-o, no final da vida, para uma fronteira até então desconhecida: a paixão.

O filme não se situa na fidelidade à obra nem numa leitura livre da história do escritor, e, ao optar pelo meio termo, pelo meio termo mesmo se classifica: nem ruim nem bom. Para aqueles que não conhecem a obra de Gabriela Garcia Márquez, o filme oferece uma narrativa relativamente atrativa e cercada de piadinhas bem colocadas, mas passa longe do virtuosismo e leveza dos textos do escritor, se perdendo em tentativas de linguagens que não convencem e flashbacks aos montes.

De fato, vale a dica para os que ainda não leram a obra do colombiano como uma introdução a este universo de textos mágicos, repletos de nuanças entre o céu e a terra, muito além do que soube captar essa vã adaptação.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Um Corpo que Cai no topo da Lista

O crítico de cinema e professor da Ufba, André Setaro, publicou recentemente um artigo sobre a mais nova lista do Maiores Filmes de Todos do Tempos, onde o imbatível Cidadão Kane (1941) cede lugar pela primeira vez ao clássico de Alfred Hitchcock, Um Corpo que Cai (1956). O texto, mais do que uma aula, é um primor, talhado entre a clara compreensão histórica do cinema e a paixão pela sétima arte.

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O tempo é o melhor juiz para o julgamento dos filmes. Algumas obras cinematográficas, tão exaltadas nos anos 50, caíram, nos tempos atuais de seu pedestal para um segundo plano e outras, desconsideradas, e nunca inclusas numa lista das melhores, subiram, com o passar do tempo. É o caso de Um corpo que cai (Vertigo, 1958), que, numa recente pesquisa da revista inglesa Sight&Sound, por 34 votos de diferença, desbancou de seu topo o clássico e impertubável Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), de Orson Welles, como o maior filme de todos os tempos. A pesquisa reuniu 846 especialistas em cinema, críticos, ensaístas, acadêmicos, historiadores. É uma enquete muito séria e feita com extremado rigor. A notícia se espalhou pelos jornais semana passada: Um corpo que cai, do velho Hitch, é considerado o maior filme de todos os tempos. Se fosse fazer uma lista, ainda conservaria Kane no topo, mas incluiria, sem dúvida, Vertigo, entre os cinco maiores momentos do cinema. Cada um tem a sua lista particular. Cada um tem seus filmes preferidos. Mas o resultado da enquete mostra que Um corpo que cai, realmente, é um monumento da chamada sétima arte.

Descoberto como um autor de filmes genial pelos críticos da revista francesa Cahiers du Cinema, Hitchcock passou muito tempo elogiado apenas pela sua capacidade de despertar emoções e submeter o espectador à agonia do suspense. Em Fronteiras do cinema, de Walter da Silveira, o grande ensaísta baiano chega a cometer um equívoco no capítulo As vertigens de Alfred Hitchcock no qual aborda, com extrema superficialidade, a sua "metafísica", restringindo-o a ser um provocador de meras vertigens. Foi preciso que François Truffaut, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer, Claude Chabrol, entre outros, fizessem ver, através das páginas do Cahiers du Cinema, que Hitchcock, muito mais do que um mero "mestre do suspense", era um autor completo, um inventor de fórmulas, um dos mais interessantes realizadores cinematográficos da história. Em Le cinema selon Hitchcock, livro de Chabrol e Rohmer, estabelece-se a prova irrefutável da maestria do autor de Vertigo, a chegar mesmo os dois críticos a afirmar que nos "filmes de Hitchcock o conteúdo é a forma", expressão acabada da conjugação perfeita entre o elo sintático (a linguagem) e o elo semântico.

Hitchcock, e não se sabe o motivo do gesto, resolveu, em meados dos anos 60, retirar Vertigo, assim como outros de seus filmes, de circulação. Vintes anos se passaram sem que o filme pudesse ser visto ou reavaliado até que, com sua morte, em 1980, Pat, sua filha única, resolveu pô-lo novamente em evidência em 1984, com a distribuição mundial de um Pacote Hitchcock composto por Um corpo que cai, Janela indiscreta, Festim diabólico, O terceiro tiro, e O homem que sabia demais. O lançamento desses filmes fez vir de Hollywood o legendário James Stewart (que tinha participação na produção deles e, portanto, nos lucros porventura auferidos).

James Stewart é Scottie, inspetor de polícia em licença médica porque possuidor de acrofobia (vertigem em lugares altos), que acabou por deixar um colega morrer em ação. É chamado por um velho conhecido (Tom Helmore) para que vigie sua mulher, Madeleine (o biscoito proustiano?), interpretada por Kim Novak. O marido lhe diz que a mulher, em grande instabilidade emocional, está a ponto do suicídio. Scottie começa a acompanhá-la de longe, a princípio, pelas ruas de São Francisco, e chega a salvá-la de um afogamento. O seu trabalho, porém, não contava com um acidente de percurso: vem a se apaixonar por ela. Não consegue, porém, impedi-la que se atire da torre de uma igreja (a vertigem lhe impede a salvação de Madeleine). Com profundo sentimento de culpa, entra em grave depressão até que, já restabelecido, encontra uma mulher extremamente parecida (uma sósia, a rigor) a Madeleine, que se chama Judy. Aproximando-se dela, procura modificar-lhe alguns detalhes e reconstruir, nela, a amada morta. A verdade, no entanto, e Hitchcock apenas fornece as informações para o público, a deixar Scottie sem saber de nada, é que Madeleine não morreu e que Judy é, apenas, uma mulher comum que fora contratada pelo amigo de Scottie para "representar" Madeleine. E quem cai da torre é a mulher do contratante, que a quer ver morta. Madeleine, o álibi perfeito.

O exegeta Noel Simsolo, que escreveu um ensaio sobre a obra de Hitchcock, diz que Um corpo que cai tem um universo de ópera wagneriana e do esoterismo de Bartok, e no filme se assiste ao nosso próprio sonho nos seus prolongamentos nefastos. Segundo Simsolo, "a tarefa que Scottie se atribui é um plano ignóbil e perverso que o obrigará a agir, amar e sofrer, a deixar assim sua impotência e passividade. (…) A segunda parte, mostrando a tentativa de Scottie de reencontrar, pelo artifício, a primeira mulher (Madeleine) na segunda (Judy) nos conduz ao limite do atroz em plena abstração da proposta. Porque Madeleine e Judy são a mesma mulher. A cor dos cabelos, as roupas, o penteado, (ou seja, a aparência), diferem, mas são justamente estes detalhes que nos levam, como a Scottie, à vertigem e ao fetichismo. Para nós, como para ele, Scottie recriou esta aparência para reencontrar o ser irreal do quadro sem expressão (Carlotta). E as lágrimas lhe chegam aos olhos quando ela aceita transformar-se na outra, lágrimas de Scottie que nos comovem e nos transformam em uma parte integrante do filme."

Com bem salientou Inácio Araújo em seu imprescindível Alfred Hitchcock: o mestre do medo (Encanto Radical, Brasiliense, 1982), "trata-se de (recriar) uma mulher a partir da imagem de uma morta, ou seja: fixar a idéia como fundadora do mundo e o mundo como produto da imaginação (…) Filme sobre a criação de uma imagem, Um corpo que cai desenvolve a hipótese de reconstituir um objeto imaginário idêntico ao real. Filme de exploração dos limites, evolui no sentido de apagar a linha que separa o real e o imaginário, fendendo (e negando) o universo que captamos ordinariamente pela introdução de um acontecimento extraordinário (a ressurreição de Madeleine, falsa na realidade porém verdadeira por sua conseqüências)."

Obra metafórica em muitos sentidos (a vertigem, a queda, a árvore milenar, o rio e o mar, a mulher, o amor, a impotência, a morte e o desejo da morte, o medo da morte do desejo, o mito do amor perfeito e eterno…), Hitchcock atinge em Vertigo o apogeu da arte clássica (que implica imitação) e, num mesmo gesto, ultrapassa-a, afirmando a supremacia da construção sobre o realismo e a verossimilhança.


OS VINTE MAIORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS

1- Um Corpo que Cai (Hitchcock, 1958) – 191 votos 2- Cidadão Kane (Welles, 1941) – 157 votos 3- Era uma Vez em Tóquio (Ozu, 1953) 4- A Regra do Jogo (Renoir, 1939) 5- Aurora (Murnau, 1927) 6- 2001 – Uma Odisséia no Espaço (Kubrick, 1968) 7- Rastros de Ódio (Ford, 1956) 8- O Homem da Câmera (Dziga Vertov, 1929) 9- A Paixão de Joana d’Arc (Dreyer, 1927) 10- 8 ½ (Fellini, 1963) 11- O EncouraçadoPotemkin (Sergei Eisenstein, 1925) 12- O Atalante (Jean Vigo, 1934) 13- Acossado (Jean-Luc Godard, 1960) 14- Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979) 15- Pai e Filha (Ozu Yasujiro, 1949) 16- A Grande Testemunha (Robert Bresson, 1966) 17- Os Sete Samurais (Kurosawa Akira, 1954) – 48 votos 17- Quando Duas Mulheres Pecam (Ingmar Bergman, 1966) – 48 votos 19- O Espelho (Andrei Tarkovsky, 1974) 20- Cantando na Chuva (Stanley Donen & Gene Kelly, 1951) 20- A Aventura (Michelangelo Antonioni, 1960)



Ótima programação musical para além do FIB

Por Marcelo Lopes

Fazendo um contraponto à programação do Festival de Inverno Bahia, que apesar de nascer como uma proposta criada com um alinhamento para o Pop Rock como herança de lacunas deixadas na cidade como o Agosto de Rock, e que este ano coroa nossa cidade com pérolas como Jamil e Asa de Águia (o mais do mesmo!), a programação do cenário mais efervescente da cidade conta com o olhar atento para a diversidade de um Pop Rock imensamente forte, renovado e criativo.

Segue a programação para os próximos dias:
 
O Banco do Nordeste do Brasil e o Suíça Bahiana Coletivo/Circuito Fora do Eixo trazem pra cidade uma nova opção, o Festival Rock Cordel. Gratuito, na Praça Barão do Rio Branco e com sete atrações diárias, vindas de várias partes do país. A cena local, que está passando por um novo momento, também tem seu espaço garantido. A programação do evento foi pensada com base na renovação da música brasileira e em novas apostas, confira!

Quinta-feira 09/Ago
19h: Na Terra de Oz
20h: Distintivo Blue
21h: Enio e a Maloca
22h: Ladrões de Vinil
23h: Cama de Jornal
00h: Soulscream
01h: Warcursed

Sexta-feira 10/Ago
19h: Mendigos Blues
20h: Impiza Roots
21h: Pietros
22h: Cinco Contra Um
23h: Os Barcos
00h: Maldita
01h: Amsterdã

Sábado 11/Ago
19h: Neubera Kundera
20h: Tangerina Jones
21h: Folks
22h: Surf Sessions
23h: Garboso
00h: Princípio Ativo
01h: Callangazoo


Dia 17/Ago / Local: Viela Sebo-Café - 20 horas
Já se passaram cerca de 10 anos desde a última apresentação do Scambo em Vitória da Conquista. Seus shows na cidade eram mega concorridos. Com seu vocalista original confirmado, Pedro Pondé, o show promete ser histórico. Também participa da festa a Banda Ramanaia! Os ingressos custam R$ 10,00 no primeiro lote, R$ 15,00 e R$ 20,00 nos demais lotes.


Fonte: Página de eventos do Facebook

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Panorama da Cultura Conquistense


Por Marcelo Lopes

Há alguns dias fui procurado pela estudante de Comunicação Social da Uesb, Ana PaulaMarques, para que pudesse colaborar com uma matéria que, no seu escopo, tratará das eleições municipais. No que cabia a mim e a outros entrevistados, a estudante solicitou que respondêssemos um questionário sobre a Cultura no município de Vitória da Conquista.
Como a matéria, que sairá na próxima edição do “Oficina de Notícias” - jornal produzido pelo curso de Comunicação – terá outros contornos além do que respondi (e do que devem ter respondido os demais entrevistados da área) resolvi publicar o conteúdo da minhas considerações no Blog, com a anuência de Ana Paula e sem prejuízo ao material que ainda será publicado.
Acredito que no conjunto o texto dê um panorama interessante sobre nossos sonhos e dramas.


Como você avalia o atual cenário cultural de Vitória da Conquista?
Na última década Conquista alcançou um crescimento considerável na dinâmica da sua economia cultural. O volume de investimentos no setor cresceu proporcionalmente tanto no ponto de vista de iniciativas privadas, sobretudo em apresentações musicais e espetáculos de teatro, por exemplo, quanto realizações de natureza pública, via projetos de execução direta da administração municipal, estadual ou federal e/ou por meio de aprovação em editais por entidades diversas do terceiro setor.
O fato é que este desenvolvimento tem características que evidenciam a dimensão da responsabilidade da cidade como pólo regional, como terceira maior cidade do estado, mas ainda muito longe de uma política cultural que estimule, regule ou mesmo imprima um rosto daquilo que é potencialmente um caminho viável para uma economia criativa forte.


Na sua opinião, o poder público cumpre as funções de incentivar, valorizar e fomentar a cultura em Vitória da Conquista?
Há de se partir do princípio que não existe política para a cultura em Vitória da Conquista. Isto é visível. Os eventos que a cidade realiza - Natal, São João e mais recentemente o Festival da Juventude – por mais que possam oportunizar a população ver artistas para sensibilizar, educar a população, além de estimular alguns espaços para expressões tradicionais como o reisado, são apenas eventos e não passam disto.
O poder público, para além destes eventos (que não deixam de ter seu valor e ser um diferencial no painel geral do estado), não leva a cultura tão a sério quanto deveria. Seguem as principais razões:
  • A secretaria responsável por cuidar desta área é, no corpo organizacional da administração pública, um super-orgão: cuida da cultura, do turismo, do esporte e do lazer, todos de forma insatisfatória e vaga. E ainda tem um dos menores orçamentos do município. Nestes termos, não há como articular tamanha responsabilidade num só orgão nem focar os esforços de um corpo de servidores exclusivamente na área da cultura. Ou do Esporte. Ou do Lazer. Ou do Turismo.
  • O Conselho Municipal de Cultura não existe – pelo menos em termos práticos - seus membros, além de desconhecidos, já tiveram seu prazo legal de exercício vencido há anos. Sem falar que a legislação que cuida deste e outros órgãos que dariam vazão à implementação da atual proposta do governo federal de um Sistema de Cultura, com o Fundo de Cultura e outras funcionalidades, é da década de 1980 e é tão obsoleta quanto anacrônica.
  • Não existem diálogos reais de forma efetiva mediados pelo poder público com setores da cultura como o teatro, a música, o audiovisual, a dança e demais expressões, tanto no ponto de vista do da articulação com o município quanto com o estado e a federação. Atividades como os encontros setoriais ou estaduais de cultura de cultura, repetem-se com as mesmas reivindicações todos os anos desde a sua primeira realização e não avançam em praticamente nada no cotidiano da área cultural em Conquista.


O poder público se preocupa em preservar a cultura popular local?
Acredito que sim, mas em dimensões muito pontuais: algo na música regional, pouco nas artes plásticas e no patrimônio imaterial (como o reisado e as tradições juninas). Mas não tem olhos apontados para as implicações do novo no audiovisual, no teatro, na dança, por exemplo, que representam hoje expressões de destaque como artes que dominam uma linguagem mais moderna no município. Falha na formação profissional de novos agentes e produtores culturais de modo contínuo, realizando (quando de fato realiza) sempre mais da mesma coisa. É preciso ter em conta que uma cidade como a nossa ainda é marcada pela divisão simbólica e concreta da “Avenida Integração” na sua própria noção de cidadania. O lado leste, onde se localiza o setor “nobre” do município rivaliza com o lado oeste até mesmo na forma como é percebida pela administração municipal: observe que não existem equipamentos culturais públicos no lado mais populoso do município. O que falta precisamente é um planejamento sistemático e vontade efetiva de realizá-lo. Se assim não for, tudo vai continuar sendo improviso e ideias soltas.


Como é a relação com o poder público e com as empresas privadas se tratando de investimento em iniciativas culturais?
Praticamente nulo. O diálogo, quando existe, é pontual e efêmero. Na realização de atividades culturais a iniciativa pública tem muitas vezes a necessidade dessa parceria, mas não se articula de modo eficiente. Já a iniciativa privada, mal enxerga a possibilidade real desta relação, limitando-se a compreendê-la, na maioria das vezes, apenas como uma forma de reduzir custos.
Muito pior é a compreensão do empresariado sobre o apoio a atividades culturais. A utilização de mecanismos de incentivo fiscal é rara, por desconhecimento, por resistência e por uma prática ainda comum – mas extremamente amadora – de confundir patrocínio com apadrinhamento, sem que aí exista de fato uma relação comercial com benefícios para as três partes envolvidas: o empresário, o produtor cultural e a população. Eventos de grande porte como o Festival de Inverno e outros shows de nomes conhecidos nacionalmente têm mídia forte o suficiente para a venda de cotas que ajudam a pagar o investimento, mas isto é exceção.
Outro problema grave é o perfil do produtor cultural que atua nestas duas frentes (pública e privada). Como a referência maior de captação de recursos para cultura nas duas últimas décadas são os editais, alguns produtores passaram a procurar compreender melhor estes mecanismos e sua linguagem para ter acesso a estes investimentos. No entanto, do pouco percentual que consegue alcançar aprovação, um número ainda menor se preocupa conscientemente comas regras da gestão destes projetos. Não raramente um projeto mal executado, na sua prestação de contas, o inabilita a captar recursos novamente. Isto é ruim para o produtor, para o empresário que aposta e para muitas boas ideias que deixam de ser realizadas junto à população. A falta de um mercado profissional e capacitado em Conquista é decorrência da ausência de ação reguladora do estado, seja na instância estadual, federal, mas principalmente municipal, já que é o órgão de contato direto no município.


E com os meios de comunicação? Existe espaço para a divulgação de eventos públicos e/ou independentes?
Os meios de comunicação têm um papel fundamental na disseminação de novos espaços. Os veículos tradicionais têm oferecido com regularidade certa atenção a estes eventos, mas o diferencial que marca definitivamente este cenário atual é ocupado pela mídia independente, dos blogs, das redes sociais (que vinculam textos, imagens, áudio e vídeo) e que demovem um numero interessante de pessoas, ocupando nichos antes restritos apenas a amigos e colegas de uma mesma tribo. Estes novos pontos de informação geram curiosidade, hábitos e mobilizações que já fazem parte da forma de consumir cultura nos dias de hoje.


Qual a sua opinião sobre a política de editais realizada em Vitória da Conquista?
Ainda muito primária, resultado das deficiências decorrentes da própria ausência de uma política cultural na cidade. Como afirmei, sem planejamento, não há articulação, sem articulação não há vontade política viável, e sem isto restam apenas poucas alternativas concretas, todas pontuadas pelo improviso num cenário desfavorável.
Para além disto, os editais que oferecem de fato algo palpável são de ordem estadual, federal e de investimentos de outra ordem.


Você acha que os projetos, eventos e iniciativas culturais públicas e privadas que acontecem na cidade são acessíveis? Os eventos são descentralizados?
Na medida do fluxo de atividades realizadas, acredito que temos um acesso razoável comparado a outras cidades do estado (em número e diversidade), mas longe ainda do que é possível. A iniciativa privada poderia manter preços mais acessíveis a eventos se o mercado produzisse um número maior de realizações alternativas e se estruturas como o aeroporto da cidade oferecessem condições de tráfego mais adequado, condizente com o porte do município, facilitando o trânsito de pessoas, bens e serviços.
O crescimento de pontos culturais independentes, sejam estes como realizadores ou como locais de atividades culturais, descentraliza sim o número de eventos, mas a falta de espaços alternativos com estrutura adequada para realização de eventos com necessidades específicas, bem como o número de profissionais capacitados para tanto, ainda é um obstáculo estratégico ao desenvolvimento do setor.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Documentário sobre o Santo Lenho é aprovado na Secult

Por Marcelo Lopes

Em minha postagem no último dia 23 de julho, intitulada Editais com Premiações Centralizadas, o texto tecia considerações sobre o problema dos editais na Bahia que, assim como acontece com o resto do país com a concentração de investimentos e premiações no Rio e São Paulo, premiam desproporcionalmente a grande maioria das propostas na zona metropolitana de Salvador, desconsiderando a política (criada por eles mesmos) de setorização e descentralização de recursos para os Territórios Culturais.

 

No dia de hoje, saiu a lista de projetos do setor Audiovisual e a realidade não mudou: a polarização de recursos na capital do estado e no seu entorno continua contemplando pouco projeto no interior, um prejuízo à diversidade de olhares e manifestações culturais.

 

Afirmo isto e sustendo a crítica fazendo eco a opinião de muitos outros produtores e agentes culturais, mesmo tendo conseguido a aprovação neste mesmo edital do meu projeto audiovisual em parceria com Eduardo Rodrigues (via TVLocal 36), Luciana Oliveira e Marcos Almeida. O projeto de documentário intitulado “Contra o Veneno Peçonhento do Cão Danado”, deverá registrar histórias populares em torno da prática iniciática daqueles que cultivam o corpo fechado, conhecido por aqui e em alguns outros lugares da Bahia e do Nordeste como o Santo Lenho

 

Em nome do trajetória já percorrida e pelo que ainda temos que construir, nossos agradecimentos especiais aos amigos sempre próximos nesta empreitada: Leu Couto, Alisson Menezes, Maviael Melo, Maris Stella Schiavo Novaes, Carollini Assis, Ketia Prado Damasceno, Gilsergio Botelho, Isnara Pereira Ivo e Kécia Prado.

Agradedimentos também à galera do Audiovisual de Vitória da Conquista, pela persistência, talento e pelo mérito.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Catrop e a Memória do Tropeiro

Por Marcelo Lopes

É natural ao ser humano se perguntar de onde vêm as coisas. A origem de tudo é assunto à pauta de qualquer vivente. Saber de onde se vem é premissa para ter subsídios para a compreensão do presente e planejamento do futuro. Daí a importância da memória e da maneira com o homem registra sua própria história.

Em Vitória da Conquista, desde 2007, um grupo de pessoas interessadas em responder questões pertinentes às nuances das matrizes da formação do estado nacional brasileiro, com especial atenção no povo conquistense, concentrou suas atividades na busca de documentar, analisar, discutir e implementar ações que permitam entender o papel de uma figura central em todo este processo: o tropeiro.

A Ong Carreiro de Tropa (Catrop) desenvolve um trabalho articulado de pesquisa a ações de formação, apoiada institucional e/ou informalmente por diversas entidades e iniciativas individuais, com atividades de registro, resgate documental (material e oral), organizando acervos dispersos e sistematizando a memória do Tropeirismo num raio de ação que a cada ano ganha maior diâmetro e reconhecimento. Sua contribuição para a compreensão da nossa própria herança cultural tem sido fundamental e merece – mais do que vem sendo – ser apoiada de todas as formas.

A entidade realiza um trabalho duro - como foi sempre o de um tropeiro - e, assim como o desta figura central, mantém raízes fortes, capazes de se fazer notar pelo vigor do trabalho e do seu conteúdo.

Nos dias 17 e 18 de agosto, a partir das 18h, no Museu Regional da Uesb, a Catrop realiza a terceira edição do projeto Roda de Conversa, desta vez com o tema “Tropeirismo: uma herança cultural”. A Roda de Conversa é uma ação do Núcleo de História, Cultura e Memória da ONG Carreiro deTropa e conta com o apoio do Instituto de Educação Euclides Dantas/IEED, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/UESB, do Grêmio Estudantil Interaçãodo Instituto Federal da Bahia/IFBA – campus de Vitória da Conquista e do blog Garimpeiro das Palavras. A entidade é também parceira do Instituto Mandacaru e de tantas outras iniciativas que tratam da cultura em Vitória da Conquista.

O Blog da instituição promove atualmente uma enquete perguntando onde é possível identificar a presença a cultural do tropeirismo em Vitória da Conquista

Acessem, votem e opinem. E aproveitem para conhecer melhor o trabalho da Catrop.