sexta-feira, 29 de junho de 2012

Carta de Compromissos com a Cultura / Eleições 2012

Texto retirado do Blog http://marvadacarne.wordpress.com

Amigos do Audiovisual e da Cultura Brasileira;

Na sua última reunião, o Conselho Consultivo da Frente Parlamentar Mista Em Defesa da Cultura aprovou proposta da elaboração de um documento que estamos denominando de “Carta de Compromissos com a Cultura”. O documento contempla 14 compromissos com o setor cultural que pretendemos sejam publicamente assumidos pelos candidatos aos executivos e legislativos municipais que participarão das eleições deste ano.
Por seu caráter nacional, a Carta contempla apenas propostas de compromissos comuns a todos os segmentos do mundo da cultura e/ou capazes de impactar o maior número de municípios possíveis.
Neste contexto, o CBC / Congresso Brasileiro de Cinema está divulgando este documento, solicitando subscrições através do envio de mensagens para o endereço eletrônico


registrando em seu cabeçalho COMPROMISSOS.

E informando no corpo da mensagem:

No caso de entidades:
Nome da entidade, esfera de atuação (municipal, estadual ou nacional) e cidade e estado sede das atividades;

No caso de pessoas físicas:
Nome, profissão e cidade e estado;

Após a coleta de subscrições o documento final será encaminhado ao Conselho Consultivo da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura para aprovação definitiva e divulgação nacional.

Certos do apoio de toda a comunidade audiovisual e cultural brasileira, agradecemos antecipadamente.
Viva a Cultura e o Povo Brasileiro!
País rico é um país que valoriza a sua cultura!

Grande abraço;

João Baptista Pimentel Neto
Presidente do CBC / Congresso Brasileiro de Cinema


“Carta de Compromissos com a Cultura / Eleições 2012”

Senhores e Senhoras Candidato(a)s;

Patrimônio maior do povo e da nação, a criatividade artística e a diversidade cultural brasileira, ainda hoje, e apesar dos avanços verificados ao longo da última década, não recebem da parte da classe política toda a atenção e o apoio necessários ao pleno desenvolvimento de seu imenso potencial, inclusive econômico.
Tal situação fica clara ao constatarmos que apesar dos invariavelmente elogiosos discursos e das promessas de apoio ao setor, que há décadas são feitas às entidades culturais e aos trabalhadores da cultura, especialmente, durante os períodos eleitorais, infelizmente, o setor não conseguiu até o momento sequer ver aprovados pelo Congresso Nacional alguns poucos projetos e emendas constitucionais fundamentais ao estabelecimento dos marcos legais para a implementação das políticas públicas de cultura que foram consensualmente aprovadas nas duas Conferências Nacionais de Cultura realizadas nos últimos anos, com ampla, abrangente e representativa participação de todos os setores da cultura.
É neste contexto, e considerando que no próximo dia 3 de outubro todos os brasileiros e brasileiras devem comparecer às urnas para votarem e elegerem aqueles que durante os próximos anos serão responsáveis pelo comando dos executivos e legislativos municipais, é que nós representantes das entidades culturais e trabalhadores da cultura abaixo assinados, apresentamos aos candidatos e candidatas, esta “Carta de Compromissos com a Cultura”, solicitando que também o subscrevam, assumindo publicamente estes COMPROMISSOS COM A CULTURA BRASILEIRA!

CARTA DE COMPROMISSOS COM A CULTURA
Nós, representantes das entidades culturais, trabalhadores e militantes da cultura, candidatos e candidatas aos executivos e legislativos municipais e demais subscritores deste documento, assumimos publicamente o compromisso em apoiar e trabalhar pela aprovação das matérias legislativas e pela implementação das propostas abaixo relacionadas, fundamentais à preservação dos nossos patrimônios culturais materiais e imateriais e das identidades e diversidades culturais brasileiras, à implementação de políticas públicas democráticas, federativas e republicanas de fomento à produção, difusão e acesso universal aos bens culturais, ao pleno exercício da cidadania e à garantia de ampla liberdade de expressão e respeito a todos os demais dos direitos humanos:

COMPROMISSOS
1) Compromisso de apoio à imediata aprovação da PEC 150/2003, que torna obrigatória a aplicação pelos municípios de 2% dos recursos orçamentários na Cultura; e que, independentemente de sua aprovação, seja tal percentual de recursos, seja contemplado nas leis municipais relacionadas ao Plano Plurianual, de Diretrizes Orçamentárias e, garantido este percentual de recursos, já a partir do orçamento municipal elaborado para o ano de 2014; 
2) Compromisso com a criação e/ou manutenção e fortalecimento dentro da esfera da administração municipal de secretarias (em cidades acima de 50.000 hab.) e/ou diretorias (em cidades com menos de 50.000 hab.) municipais específicas para a gestão da cultura;
3) Compromisso com a criação e/ou manutenção e fortalecimento de Conselhos Municipais de Cultura paritários, conforme disposto no projeto de criação do SNC / Sistema Nacional de Cultura recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados;
4) Compromisso com a criação e implantação  e/ou manutenção e fortalecimento de Leis Municipais de Incentivo a Cultura e de Fundos Municipais de Cultura, geridos através de Comissões Gestoras Paritárias exclusivamente eleitas para este fim;
5) Apoio a aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto que institucionaliza o Programa Cultura Viva (pontos de cultura) e compromisso com sua implantação na esfera da administração municipal, através de conveniamento, conforme previsto no programa Mais Cultura;
6) Apoio e compromisso com o fortalecimento do programa de Ação Cine+Cultura, através da implantação de cineclubes, especialmente nas localidades com menos de 100.000 habitantes nas quais não existam salas comerciais de exibição;
7) Apoio a imediata aprovação pelo Congresso e compromisso com a posterior implantação do projeto de lei que torna obrigatória a exibição de produções audiovisuais brasileiras na rede municipal de educação;
8) Compromisso com a implantação do ensino de música e das artes na esfera da rede municipal de educação, conforme determinado pela legislação vigente;
9) Compromisso com a implantação dentro da grade curricular do ensino na esfera da rede municipal de educação da cultura afro brasileira, conforme determinado pela legislação vigente e também, das culturas indígenas;
10) Compromisso com a implantação de programas de acesso gratuito à internet – Banda larga Para Todos;
11) Compromisso da implantação e/ou manutenção com apoio financeiro da administração municipal de rádios e TVs Comunitárias, geridas por associações de entidades usuárias;
12) Compromisso da implantação e/ou manutenção e fortalecimento de Bibliotecas Públicas Municipais (inclusive através da ampliação e atualização de acervos) e Tele Centros;
13) Compromisso com a implantação e/ou manutenção e fortalecimento de políticas públicas de preservação de patrimônios históricos materiais e imateriais, bem como de patrimônios naturais e ambientais;
14) Compromisso com a implantação e/ou manutenção e fortalecimento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor da economia criativa e solidária;

Brasília, junho/julho de 2012
CBC / CONGRESSO BRASILEIRO DE CINEMA

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quadrinho a Quadrinho: 24 Vezes por Segundo


Por Marcelo Lopes

Quando me falam sobre adaptações de quaisquer obras para o cinema sempre me lembro dos bodes. Dois bodes no campo comiam um filme cinematográfico. A certa altura um diz para o outro: “o que você acha desse aqui?” – pensativamente o outro responde, “prefiro o livro”.
Sobre isso, há sempre que reclame sobre um filme A ou B e ainda há quem diga que nenhum filme consegue superar a história original. Na verdade, tirados de livros ou de outras fontes de inspiração, as adaptações têm sim seu lugar. Basta olhar para os maiores lançamentos do cinema norte-americano nos últimos anos e pode-se observar que um filão muito bem explorado tem sido os filmes baseados em personagens dos quadrinhos. A lista é longa: somente em 2011 nos vimos às voltas com o Deus do Trovão (Thor, de Kenneth Branagh), a nova saga dos mutantes (X-Men – Primeira Classe, de Matthew Vaughn), o bárbaro da Siméria (Conan, de Marcus Nispel), o grande escoteiro dos EUA (Capitão América, de Joe Johnston), o cavaleiro esmeralda (Lanterna Verde, de Martin Campbell), além de um bando de duendezinhos azuis, alguns robôs automotivos e um ursinho laranja que saíram dos quadrinhos e viram sucesso de TV nas década de 80 e 90: Os Smurfs, (Colin Brady), Transformers 3 (Michael Bay) e Ursinho Pooh (Stephen J. Anderson/ Don Hall). Tudo isso em um só ano. Em 2012, os destaques ficam a cargo de Homens de Preto 3, Os Vingadores e da versão teen do Homem Aranha.
Claro que nem tudo vale o que vende. A primeira regra de uma adaptação é respeitar a linguagem: cinema não é literatura nem é história em quadrinhos e vice-versa. Cada um tem seu ritmo, sua característica, seu tempo narrativo, seus detalhes relevantes. Não se pode esperar que uma obra adaptada seja tão boa ou melhor que o original, até mesmo porque a matéria-prima de ambos tem desdobramentos diferentes. Na literatura a imaginação segue a mão e o suor do seu autor, com os objetivos de quem escreve. No cinema, as variáveis são muito maiores e os interesses infinitamente diversos; do agente de determinado superstar ao produtor de uma grande companhia, do roteirista habilidoso (ou não) ao chefe de marketing que quer vender os bonequinhos e camisetas do filme.
O que de fato nos importa de fato como espectadores é o rol de bons filmes e de outras tantas barbaridades que nos são apresentadas nos últimos anos. E como estamos falando de Quadrinhos, aí vai a minha lista dos piores e melhores filmes.

PIORES
- O JUSTICEIRO (1989) – Um desgosto. O personagem, um dos mais ricos anti-heróis psicóticos dos HQ’s, virou piada e se tornou irreconhecível na pele do ator Dolf Lundgren (na época, ainda famoso pela sua atuação em Rocky IV). Canastrão e mal produzido, o filme não convence com os personagens, com o ator e sequer faz jus a história original. Não vou nem falar do que o loirão fez com He-Man (Masters of the Universe).

- O FANTASMA (1996). Depois de amargar um longo tempo sendo um dos amiguinhos sem nome de Beef Tennen, na trilogia “De Volta para o Futuro” e fazer algum sucesso como vilão em Titanic, Billy Zane emprestou o rosto ao velho herói-título do filme, assassinando a memória de muitos leitores. O filme, de bilheteria muito ruim, não emplacou nem aos mais generosos que nem conheciam o personagem da época dos quadrinhos. Billy Zane, depois disso, não consegue mais nem o antigo papel na gang do Beef.

- DEMOLIDOR – O Homemsem Medo (2003). Nem cinema nem HQ, a linguagem do filme é um híbrido estranho que não consegue se aproximar da aura sombria do herói-cego que faz justiça com as próprias mãos, nem consegue emplacar boas interpretações dos atores (que ironicamente são bons, como Bem Affleck, Jennifer Garner e Colin Farrell). Miscelânea de sei-lá-o-quê, o filme tem cenas de luta que perdem para Jaspion em convencimento e uma história sem consistência.
- HULK (2003/2008) – Não sei bem onde fica a referência que os roteiristas para adaptarem os HQ’s, mas o Hulk, protagonizado por Eric Bana, consegue misturar tanta coisa que a história se perde no meio dos seus efeitos e torna o Dr. Bruce Banner filho de um dos seus piores inimigos nos quadrinhos (coisa que nunca aconteceu nas histórias). A continuação peca menos na história original, mas tem pérolas, como brasileiros com sotaque espanhol e coisas do gênero. Melhor deixar pra lá... É tudo muito incrível.

- BATMAN E ROBIN (1997) – depois de uma brusca queda de qualidade nas sequências dos filmes de Batman (iniciadas com ótimo Batman, de Tim Burton), essa pérola é o auge de muita perda de tom. Além de atuações horripilantes, personagens sem um mínimo de conteúdo e da gratuidade das ações dos personagens, a história do homem-morcego se assemelha mais ao seriado Batman dos anos 60 (com o barrigudo Addam West) que com o clima mais sombrio que consagrou o herói nos quadrinhos.

MELHORES
- HOMENS DE PRETO (1997/2002/2012) – Para quem não sabe, as histórias impagáveis dos homens de terno preto saíram dos quadrinhos para cair no gosto popular com duas ótimas produções (indo para a sua terceira em 2012). A produção muito bem bolada, não cai no uso dos recursos somente para encobrir um roteiro fraco;  divertido, inteligente e protagonizado por dois atores de primeira linha, o filme promete também na sua próxima sequência.

- BATMAN Begins (2005/2008) – o Diretor Christopher Nolan redime a saga do cavaleiro das trevas com duas ótimas adaptações, trazendo para a tela do cinema um filme de ação intrincado, que faz passar longe a noção de que as histórias dos quadrinhos não podem ter peso dramático. Em ambos (não recomendadas para crianças, diga-se), a atmosfera densa e a virulências dos personagens valem cada minuto sentado em frente a tela. Nota dez (in memorian) para Heath Legder como o melhor Coringa do cinema (que me desculpe Jack Nicholson).

- 300 (2007) - dirigido por Zack Snyder, baseado na obra de Frank Miller, “Os 300 de Esparta”, o filme é a reconstrução do HQ em cinema, nos termos de uma transposição de linguagem inteligente e astuta. Usando de filtros que fazem lembrar as pinturas do artista Frank Miller, filtros de luz e muito Chroma Key, a história da resistência do Rei Leônidas e suas três centenas de soldados para manter os incontáveis guerreiros persas fora do território grego, resgata na raiz o sentido épico da história de Miller.

- WACHTMEN (2009) – Baseada na Graphic Novel homônima de Alan Moore e Dave Gibbons, o filme foi um desafio de duas décadas para a obra dos quadrinhos mundialmente premiada: nenhum conseguia encarar Rorschach e os outros anti-heróis da história sem dar a cara à tapa aos milhões de fãs da história, espalhados mundo afora. Tudo isso porque, além de complexa, repleta de intertextos e histórias paralelas, a narrativa mantinha uma unidade dramática e estética marcante; o risco de fazer perder o que tornava a história uma obra prima poderia se perder em dois tempos. Outro ponto para Zack Snyder, que aceitou o desafio e o resultado foi impressionante. Para quem não viu, recomendo ver os dois, o HQ e o filme.

- Sin City - A Cidade do Pecado (2005) – dirigido por nada menos que Frank Miller (autor da obra em quadrinhos), Quentin Tarantino, Robert Rodriguez, o filme mantém traços integrais da Graphic Novel: o contraste de preto e branco e a incursão de algumas cores adicionais como o vermelho e amarelo; a narrativa suja dos pulp fiction (livro de bolso com histórias policiais, repletas de sexo e anti-heróis ao estilo noir). Ágil, frenético, plasticamente impressionante e impressionável, o filme mantém a estética dos quadrinhos como um homenagem a esta arte sem esquecer que está fazendo cinema.

A lista tende sempre a ficar imensa, se olharmos o que já foi feito e o que já existe de promessa pela frente. Torçamos pelo menos para que vençam os melhores.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Adeus a Dércio Marques

Por Marcelo Lopes

Ano passado - num desses pequenos momentos inesperados e pitorescos que ficam guardados na lembrança -, logo após sua apresentação pública na Praça Barão do Rio Branco, passei cerca de uma hora conversando com o cantor e compositor mineiro DércioMarques. Solícito (não o conhecia pessoalmente), conversamos como se estivéssemos continuando um papo da semana anterior.

Dono de um talento ímpar, de uma sensibilidade à flor da pele e de um cativante jeito simples, Dércio falou de como era bom ver um público “sadio” lotar os espaços públicos para ouvir um pedaço da nossa própria identidade popular, coisas que só mesmo o homem brasileiro tem e que em nenhum outro lugar do mundo se manifestam desta forma. Lembramos de pessoas que conhecíamos em comum (inclusive meu saudoso e querido amigo Jorge Melquisedeque). Falamos de amenidades e de coisas relevantes, esticamos o papo além do cumprimento normal de alguém que viu sua apresentação e achou tudo muito bom. Saí dali ainda mais fã do artista.

Num momento em que a dinâmica cultural de Vitória da Conquista permite que o trânsito de artistas de perfil regionais se exerça além dos grupos auto-referenciados ou em espaços “intelectualizados”, partilhando com um público cada vez maior o talento de nomes como Dercio Marques no mesmo patamar que qualquer outro espetáculo musical “comercial”, ficamos órfãos da sua presença num bom momento da cultura local.

Na madrugada desta quarta-feira, 27 de junho, Dércio Marques saiu de cena devido a complicações de saúde, falecendo na cidade de Salvador.

Ficou o legado de um artista que marcou seu talento ao lado de outros grandes como Elomar Figueira, Xangai, João do Vale, Paulinho Pedra Azul, Luis Di França e Pereira da Viola. Ficou também a obra de um defensor da natureza, da cultura popular do Brasil  e do bioma cerrado de sua infância. Ficou ainda, para mim – mais do que antes – a lembrança boa de um artista tão simples, sofisticado e profundo como as músicas que cantou.

Fica aqui meu abraço.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Seres Cinematográficos

Por Marcelo Lopes

O diretor Walter Lima Junior, em um artigo para a primeira edição da Revista Cinemais (voltada para os estudos sobre cinema e outros produtos audiovisuais, lançada em outubro de 1996 pela Editorial Cinemais), discorria sobre um termo realmente interessante: aquilo que ele chamou de “seres cinematográficos”. Tratava-se de atores e atrizes cujo talento e elasticidade interpretativa tivessem um elo quase orgânico com o cinema, fazendo com que seus personagens fossem construídos com os traços fortes das suas presenças cênicas ao ponto que estes tivessem sua essência quase que obrigatoriamente vinculada à grande tela, e aparentemente não se limitassem a espaços como palcos ou estúdios de TV. À época, o cineasta citava com exemplos os atores Murilo Benício e Fernanda Torres.
Pensando um pouco nessa categoria ímpar resolvi fazer minha própria lista. A razão de elencá-los é apenas o exercício simples de tentar ilustrar um painel de novas referências para grandes nomes que hoje emprestam rosto e vigor ao cinema brasileiro que conhecemos, como no passado outros intérpretes fizeram. Os critérios para a escolha de cada um deles foram baseados na freqüência com que filmam e no impacto de seus personagens na cinematografia nacional recente.
Wagner Moura – o ator baiano é um dos mais destacados nomes da nova geração do cinema nacional. De filmes que eu atuou apenas com pequenos personagens, como “Abril Despedaçado” (Walter Salles, 2001) e “Ó Paí, ó!” (Monique Gardenberg, 2007) a protagonistas impactantes como o Capitão Nascimento, de “Tropa de Elite” (José Padilha, 2007), sua capacidade de viver com a máxima intensidade e envolvimento cada um dos personagens que assume faz dele, talvez, o principal representante da nova geração do cinema no Brasil.
Alice Braga – sobrinha da atriz Sônia Braga, trilhou uma carreira sem o peso da comparação com a tia famosa, embora sua trajetória internacional seja um ponto comum entre as duas, além do imenso talento. Mesmo com uma carreira ainda muito curta, já deixou marcada sua forte participação desde o primeiro longa-metragem, como a adolescente Angélica, de “Cidade de Deus” (Fernando Meirelles, 2002) e a stripper Karinna, de “Cidade Baixa” (Sérgio Machado, 2005). Com poucas participações em TV, seu rosto vem povoando diversos filmes hollywoodianos nos últimos anos, como “Eu Sou a Lenda” (Francis Lawrence, 2007), “Ensaio sobre a Cegueira” (Fernando Meirelles, 2009) e “On The Road” (Walter Salles, 2011).
Selton Mello – versátil, já atuou como dublador (Charlie Brown, do desenho Snoopy e Daniel Laruso, do filme “Karatê Kid”, entre outros), ator, diretor e produtor, mas fez sua carreira para o grande público como conhecido ator de TV, embora se dedique nos últimos anos com marcante participação em importantes filmes da nova safra do cinema nacional. Transitando com impressionante força tanto em papéis trágicos (“Lavoura Arcaica”, de Luis Fernando Carvalho, 2001) quanto cômicos (“Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes, 2003) sua imagem é frequentemente associada ao que de melhor se tem feito no audiovisual do Brasil.
Dira Paes – muito longe dos personagens de TV que a consagraram (como a Solineuza, do Sitcom, “A Diarista” e a Norminha da novela “Caminho das Índias”), sua atuação no cinema supera a marca dos 25 filmes e seus papéis têm sempre o peso exato do seu talento, seja em filmes com um tom viral e cínico como em “Cronicamente Inviável” (Sergio Bianchi, 2000) ou em dramatizações cruas como em “Baixo das Bestas” (Claudio Assis, 2006). Não apenas pela força do seu trabalho, mas pela militância no meio cinematográfico, sua presença no cinema é um dos referenciais de um cinema com vistas a continuidade e qualidade.
Matheus Nachtergaele – responsável, segundo o escritor Ariano Suassuna, pela melhor personificação do seu emblemático João Grilo (“O Auto da Compadecida”, Guell Arraes, 1999), o ator é uma máquina de fazer filmes, trabalhando nas principais produções do que se convencionou a chamar de Cinema da Retomada, período coincidente com o início das suas atuações nas telas nacionais. Originariamente um ator de teatro, é dinâmico, instigante e, muitas vezes, faz de seus personagens inquietantes figuras cênicas, imprimindo nestes trejeitos, detalhes ou dimensões que caracterizam a composição de seu intérprete e que valeram a este prêmios importantes no teatro e no cinema.
Fernanda Torres – o fato de ser filha de nada menos que Fernanda Montenegro e Fernando Torres só contribuiu positivamente para a carreira da (já não tão jovem) atriz, mas que não poderia ficar de fora da lista dos “seres cinematográficos”, pela sua força cênica - impagável nos papéis cômicos, marcante nos dramas em que atuou. De filmes mais distantes (e não menos importantes) como “A Marvada Carne” (André Klotzel, 1985) e “Eu Sei que Vou te Amar” (Arnaldo Jabor, 1986) aos mais recentes “Terra Estrangeira” (Walter Salles, 1996) e “Casa de Areia” (Andrucha Waddington, 2005), seu talento transita entre as várias linguagens sem perder o tempo dramático nem deixar de convencer da verdade em seus personagens.
Lázaro Ramos – o baiano, vindo do Bando de Teatro Olodum, é um dos talentos mais destacados do renovado cenário de atores do país. Pontuando com grandes trabalhos no teatro e na TV, no cinema, onde atua desde 1995 (“Jenipapo”, Monique Gardemberg), viveu papéis fortes como o Ezequiel, em “Carandiru” (Hector Babenco, 2003), o André, de o “Homem que Copiava” (Jorge Furtado, 2003), o virulento João Francisco dos Santos, cujo apelido emprestou título a “Madame Satã” (Karim Aïnouz, 2002), além do aclamado Roque, de “Ó Paí, Ó!” (Monique Gardemberg, 2007), baseada na comédia musical baiana de mesmo nome. Sua forte presença cênica e talento o colocam entre o melhores atores brasileiros da atualidade.
Rodrigo Santoro – estigmatizado no início da carreira pela imagem do ator-rostinho-bonito-da-vez, o ator traçou seu caminho com personagens instigantes na TV e sobretudo no cinema, construindo personagens nada simplistas como o Wilson, de “Bicho de Sete Cabeças” (Laís Bodanski, 2001), o Tonho, de “Abril Despedaçado” (Walter Salles, 2001) e o travesti Lady Di, de “Carandiru’ (Hector Babenco, 2003). Lançou-se no mercado internacional, buscando quebrar outra barreira para o talento que cada vez mais fazia conhecer e começou a atuar em filmes hollywoodianos recentes como “300” (Zack Snyder, 2007) e “Che”, partes I e II (Steven Soderbergh, 2008), sem perder seu vínculo com o cinema brasileiro.

Não pretendo ser injusto com quaisquer outros atores e atrizes (atrizes estas que gostaria de poder elencar em maior número), mas esta é sim uma lista pessoal, embora aberta a sugestões (desde que sugestões coerentes). O mais importante é sabermos que nosso olhar cinematográfico, acostumado ainda hoje a ver Zezé Motta, Fernanda Montenegro, Marieta Severo, Sônia Braga, José Wilker, Betty Faria, entre tantos outros, não deve se perder na imagem de um cinema brasileiro estático, não-renovável, ou puramente uma extensão do que se faz na televisão. Oxigenar a grande tela exige partes iguais de dedicação de quem produziz, dirige, atua, distribui e assiste, e nesse último papel, não se enganem, está também a nossa responsabilidade.

domingo, 24 de junho de 2012

Reflexões para um futuro audiovisual em Vitória da Conquista

Por Marcelo Lopes
Há pouco mais de um ano publiquei este texto. De lá para cá pouca coisa mudou, embora as ideias para a implementação de uma dinâmica econômica voltada para o cinema em Vitória da Conquista tenham acrescentado mais uma pedra fundamental das ações que nunca saem da pedra fundamental.
Em março deste ano, o cineasta Orlando Sena (ex-secretário do Audiovisual do MinC no governo Lula), assinou um contrato de consultoria para um convênio de cooperação técnica e administrativa para implantação do Centro de Formação, Produção e Difusão Audiovisual no município firmado entre a Prefeitura Municipal e com a Uesb. Um esforço para que saia do papel mais uma iniciativa voltada para a área da cultura.
É preciso que se entenda – e efetivamente se aplique – a noção de que estimular a cultura não é mecenato, não é um ato de benevolência com quem toca, escreve ou faz artesanato, imagem muito comum para o gestor que lida administrativamente com outros recursos mais “importantes”, como a saúde e a educação.
A Economia da Cultura mobiliza recursos imensos em todo mundo e só fica atrás do mercado armamentista. O que chamamos hoje de Economia Criativa, vista de uma maneira objetiva e tratada de maneira respeitosa pelos nossos gestores, é uma área extremamente rentável e dinâmica, capaz de abarcar uma diversidade de expressões culturais e formas de desenvolvimento.
Por isso resolvi postar esse texto novamente aqui no blog: para insistir que Vitória da Conquista – assim como centenas de outras cidades no Brasil – tem que acreditar no seu próprio potencial, mas precisa que isso seja também uma atitude de persistência entre seus gestores. Se não vamos continuar inaugurando novas pedras fundamentais, indefinidamente.

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Há cerca de vinte anos nosso cenário, nada diferente do resto do país, era o seguinte:
1) Os cinemas de rua passavam por um desgastante processo de fechamento. Restavam na cidade, no início da década de 1990, o Cine Glória (hoje, mais um templo evangélico) que dedicou seus últimos anos exibindo filmes pornográficos, e o Cine Madrigal, “o último dos moicanos” no mundo das exibições no modelo das salas mais antigas.
2) O moral do cinema brasileiro ia de mal a pior; vivíamos a Era Collor, que cuidou de piorar muito mais um quadro já cheio de descrétido nas produções nacionais (retirando todo o suporte que permitia aos produtores encamparem seus projetos). Com produções de gosto duvidoso, ver filme nacional para o grande público, também aqui, era sinônimo de perda de tempo.
3) A exibição doméstica de filmes, permitida pela febre dos videocassetes, nos dava acesso a uma filmografia vasta e possibilitava ainda que gravávamos não só filmes pela TV, mas seriados e o que mais nos interessasse, reduzindo a prática coletiva de ir à sala de cinema à sessões individuais ou em pequenos grupos dentro de casa. É nessa época que pipocam pelos quatro cantos as cópias piratas de filmes, que, inclusive, forneciam material a boa parte das dezenas de locadoras que abriam a cada semana na nossa cidade.
Nessa mesma época, Vitória da Conquista vivia um fenômeno peculiar: um dos filhos mais ilustres da cidade, o cineasta Glauber Rocha, era então um ilustríssimo desconhecido em sua própria terra natal. A exceção de algumas pessoas com mais idade para se lembrarem dele, por tê-lo conhecido ou aos seus familiares, e salvo um ou outro mais esclarecido, Glauber poderia ser, para boa parte dos que eram questionados nas ruas, tanto algum especialista na área médica quanto um novo cantor de Axé (não riam, eu mesmo presenciei isso!). Foi necessário muito trabalho para que o nome do cineasta fosse resgatado e novamente fizesse parte da história corrente do município.
Mas o que finalmente me move nesta reflexão temporal são as nossas perspectivas locais para o audiovisual; daquilo que temos hoje e do que já poderíamos ter, não fosse a ineficácia de muitas posturas institucionais.
Vitória da Conquista se referencia no setor de cinema e audiovisual por práticas sociais reconhecidas como o Programa Janela Indiscreta Cine Vídeo-Uesb; as edições sucessivas da Mostra Cinema Conquista; as ações cada vez mais eficientes na formação de profissionais do ensino voltados para a relação cinema-educação; os Ponto de Cultura que atuam também como exibidores; projetos como o Cine SESC, do SESC Conquista, o Cine Cidadão e o Cine Seis e Meia, da Prefeitura Municipal, além da recente implantação do curso graduação em Cinema e Audiovisual da Uesb, tornado possível justamente pela luta incessante de alguns guerreiros locais na busca de resignificar esta mudança de paradigmas, fruto de fatos como os acima citados, encenados nestes últimos vinte anos.
Apesar dos avanços dessas práticas, de um contexto tecnológico que permitiu o acesso a produção de obras audiovisuais dos mais variados suportes (tendo o meio digital principal ferramenta) e de uma série de políticas públicas que fomentaram um campo fértil de projetos, Vitória da Conquista ainda carece de uma política eficaz que privilegie a área que por si mesma se auto-referencia.
Vejam bem: não é simplesmente porque esta é a terra natal de Glauber Rocha que devemos ser destaque na área audiovisual; isto por si só não justifica. Mas não nos utilizarmos disto como mote é um desperdício. A cidade de Varginha, no interior de Minas Gerais, tem um festival inteiro de cinema (maior que a nossa mostra anual), cujo ícone é um boneco alienígena (veja www.etdeouro.com.br)! Temos um cineasta de renome internacional e não avançamos sequer em tirar do papel vários projetos que possam transformar a cidade num pólo produtor no setor. Este é apenas um dado da nossa realidade; dezenas de outros despontam a cada dia, a exemplo da quantidade de pequenos produtores audiovisuais, roteiristas, técnicos e realizadores que não encontram uma via de concretização de suas ideias no município e têm que se dirigir a outros centros produtores na busca de uma estrutura que já deveria estar disponível em Vitória da Conquista.
Neste sentido, há uma lacuna grave na postura da articulação do poder público com setores de interesse direto na busca de soluções para o desenvolvimento da área, que deveriam dar encaminhamento e suporte a ideias e proposições que surgem periodicamente.
Saindo do campo da simples especulação, um exemplo objetivo (dos vários, perfeitamente viáveis) que já foram discutidos e rediscutidos ao longo dos anos, é o projeto Kaza Glauber de Cinema, até hoje sem nenhuma resposta em qualquer instância que o remeta a concretização: a proposição, que visa criar um centro de produção, formação e difusão do audiovisual, tendo como referência a figura do cineasta conquistense, tem como ponto principal a convergência regional de todas as atividades do setor para o fortalecimento técnico e artístico dos realizadores. Viabilizável apenas por proponentes de representatividade pública, a proposta já foi apresentada e reapresentada em ocasiões distintas à Prefeitura e à Uesb (principais representantes do poder público na instancia cultural) ao longo dos anos, mas está parada há mais de sete anos, sem qualquer perspectiva de avanço.
Pensar o município em termos de futuro nesta área é apostar num filão cultural que já nos destaca, mas é preciso agir mais do que apenas discutir, para desenvolvermos e gerarmos frutos mais consistentes. Depende diretamente de uma aliança viável entre gestores, entidades de fomento, articuladores, realizadores e produtores culturais para que tudo isso saia do papel.
Já temos maturidade e história para tanto. Não dá para viver de rascunhos.

sábado, 23 de junho de 2012

Política de Cinema: caso de muito estudo e boa vontade

Por Marcelo Lopes

O Brasil tem um novo presidente; neste caso singular, uma presidente. Na sucessão dos mandatários do nosso país existem ângulos da História que nos cabem lembrar, já que um novo ciclo apenas se inicia - mesmo que alguns digam que apenas continue, mas este é outro assunto.
Comento tais questões para analisar não os atuais sucessos do mercado audiovisual (derivados de muitas decisões acertadas nas gestões passadas), mas para chamar a atenção sobre o quão deliberativas podem ser as ações de um novo governante sobre tudo o que nos diz respeito.
As políticas públicas de incentivo nos últimos anos têm sido fundamentais para a regulamentação do setor audiovisual no país, impulsionando o atual Cinema Brasileiro. A importância de uma gestão com um olhar atento à valorização dos nossos bens culturais foi imprescindível para que a ótima fase do nosso audiovisual alcançasse seus êxitos de produção e difusão.
Longe de fazer apologia política, o fato é que nos últimos doze anos (e principalmente nos últimos oito), a descentralização de recursos voltados para a Cultura permitiu um alcance e uma democratização no fazer cultural com apoio público sem precedentes: dos mais consagrados produtores do eixo Rio-SP aos pequenos grupos do terceiro setor (como o Ponto de Cultura Movimento Cultural Arte Manha, de Caravelas, Bahia), o acesso a políticas de financiamento tornou possível uma realidade produtiva cada dia mais profícua. Muito longe do que é possível ser, mas a léguas de distância do que já foi.
Em 1990, o Brasil ganhava um presente de grego; pior, elegia seu próprio presente de grego. Fernando Collor de Mello, dentre as muitas gracinhas que aprontou (como confisco das cadernetas de poupança e escândalos à la novela mexicana), foi o algoz do setor cultural brasileiro nos poucos mais de dois anos em que fez da nação o quintal da Casa da Dinda. À época, Collor, com sua política neoliberal, acabou com os principais órgãos reguladores do cinema brasileiro, dizimando instituições como a Embrafilme, que mesmo inchada e inoperante, ainda era o maior suporte de viabilização do mercado nacional de audiovisual. Acabou com o Conselho Nacional de Cinema – Concine e com a Fundação do Cinema Brasileiro, além de reduzir o Ministério da Cultura a uma simples Secretaria de Estado, ligada ao Gabinete da Presidência. As leis de incentivo à produção e exibição, a regulamentação do mercado e até mesmo os órgãos encarregados de produzir estatísticas sobre o cinema no Brasil foram extintos.
Segundo o discusso vigente, encabeçado pelo Presidente-garotão, o mercado deveria “auto-regulamentar-se”, sem interferência do Estado. Na prática, isso significava uma abertura indistinta de mercado, totalmente à mercê das especulações e da maciça investida internacional, sem reservas mínimas para a produção local, onde os estragos para o Cinema e o audiovual brasileiro não poderiam ser piores. A produção nacional caiu a praticamente zero de um ano para outro. Em 1992, último ano do governo Collor, um único filme brasileiro chegou às telas: A Grande Arte, de Walter Salles, falado em inglês e ocupante de menos de 1% do mercado.
Resultado mais visível, impossível. Nosso cinema foi relegado a poucas iniciativas; os festivais, principais vitrines do cinema nacional passaram a incluir curtas-metragens no lugar dos longas na programação competitiva ou deixavam de ter suas edições anualmente. A captação de recursos para realização de novos filmes se tornou inviável, uma vez que o mercado interno não comprava a ideia e os investidores estrangeiros sequer tomavam conhecimento do que era ou poderia ser feito por aqui. Somente com a promulgação da Lei 8.685/93, a chamada Lei do Audiovisual, que permitia o investimento em produções nacionais pela via da isenção fiscal, foi que as primeiras golfadas de ar se expandiram pelo pulmões das nossas telas de cinema, exibindo nossos próprios rostos nas sessões de filmes do país. Não por acaso, os filmes que emergiram da grave crise buscaram resgatar quem somos, com temas que invariavelmente falavam sobre as diversas facetas da nossa identidade: Carlota Joaquina (1994, de Carla Camurati), O Quatrilho (1995, de Fábio Barreto), O que É isso, Companheiro? (1996, Bruno Barreto) e Central do Brasil (1997, de Walter Salles) são obras fundamentais daquilo que ficou conhecido como Cinema da Retomada.
Hoje, quando vivemos a era Dilma, esperamos mais do que garantias que disparidades como aquelas não ocorram; esperamos que as conquistas já alcançadas avancem; que nosso mercado tome proporções ainda maiores, mais efetivas, mais profissionais. Infelizmente, na gestão Ana de Holanda, diferente do processo de descentralização dos recursos promovido pelo Ministério nos últimos oito anos, o compromisso se estreita muito mais facilmente com políticas como a do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição – ECAD - cujos principais colaboradores fazem parte hoje do staf do MinC. A pauta tem dado uma guinada perigosa para o retrocesso e a continuidade de um pensamento de atraso e protecionismo. É preciso que os avanços permaneçam como um norte para o crescimento; que a descentralização de recursos na Cultura atinja produções vindas de ideias nascidas nos quatro cantos do território. E que isso se multiplique. Esses são mais que meus desejos para o governo atual, são minhas cobranças.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Instituto Mandacaru realiza Oficina sobre Quentin Tarantino no I Festival da Juventude de Vitória da Conquista


Por Marcelo Lopes

O norte-americano Quentin Tarantino é um dos cineastas da safra anos 90 que se mantém no seu pleno vigor criativo. Talhado primeiro como um cinéfilo inveterado nos anos que passou como um desconhecido funcionário de locadora e depois como roteirista e diretor de filmes que passaram a refinar sua linguagem ácida, veloz e violenta, Tarantino é hoje uma das maiores figuras de Hollywood, se alimentando da cultura pop estududinense do mesmo modo com se apropria dela para realizar suas obras.

Conhecido no mundo inteiro por filmes como "Cães de Aluguel", "Pulp Fiction" e "Kill Bill", entre outros, o diretor foi tema da oficina "A Linguagem de Quentin Tarantino e a Cultura Pop Norte-americana", ministrada por Marcelo Lopes e Luciana Oliveira no dia 06 de maio, durante a programação do I Festival da Juventude de Vitória da Conquista. 

Pontuando as características mais marcantes do cineasta com os signos da cultura pop hollywoodiana, como o culto aos  ícones do cinema, ao faroeste, aos seriados de Kung Fu, aos gangsters e à violência - tanto real quanto metafórica -, os dois ministrantes traçaram uma linha cronológica da cinematografia de Tarantino, ligando as múltiplas referências do amercian way of life ao emaranhado de citações cinematográficas que levantam discussões acaloradas sobre o fato de o cineasta ser um grande plagiador ou um incrível releitor de obras e símbolos consagrados.

 Na opinão geral durante a oficina, Tarantino é, no mínimo um excelente recriador de histórias, capaz de fazer da sua linguam peculiar, um atrativo estilo narrativo.