quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Tão Bem também...


Sempre existem esses dias, né?
Em que bate uma falta tremenda, uma saudade...
E ela vem acompanhada de uma dose de contemplação, não raro de alguns suspiros desapercebidos (que nós, se pudéssemos nos ver como num visor de uma câmera escondida, diríamos: olha só pra isso!!)
E como se não bastasse ainda tem alguém em algum lugar que põe uma música assim no meio da rua e você fica com ela martelando melodicamente na sua cabeça o dia inteiro...
E fica ainda mais se é uma música que a gente gosta e se identifica:
Ela me encontrou, eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal
Perdido, sozinho
Errando de bar em bar
Procurando não achar
Ela demonstrou tanto prazer
De esta r em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem
E ela me faz tão bem, ela me faz tão bem
Que eu também quero fazer isso por ela

(Lulu Santos)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Uma luz entre a sala e o banheiro

Só fiz mesmo
Por ser sofismático,
Uma espécie
De argumento matemático,
Um pedaço de texto
Mal quebrado.
 
Não que um texto em si,
Feito e tomado de espaço,
Tenha corpo suficientemente
Íntegro que não possa ser
Despedaçado.
 
Mas o recorte me importava.
 
Um fragmento
Um intento
Um vago sobreposto
De letras
Que me pudesse olhar no rosto
Com a empáfia
E a consciência leve
A partir de um sinal mal dado
De que sua existência
Nessas linhas sem sentido
Não fora uma simples
Conveniência, um inventado.
 
Mas fora sim,
Um flash
Um insight assim.
 
Fora um impulso
Um resultado da pretensão
De dispor, pelo menos no dia de hoje,
De algum sinal de produção
 
Um punhado de texto não-falado
Mas que ocupasse um espaço
Mínimo,
Sequer um mimo,
Que eu pudesse dizer,
Sem cansaço:
Deixei neste dia um texto blogado.


Aos meu dois amores encapetados (num dia de paciência zero)

POEMA ENJOADINHO

Por Vinícius de Moraes  
Filhos . . . Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete . . .
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los . . .
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!



terça-feira, 28 de agosto de 2007

Tempo, mano velho!



TEMPO

TEMPO

MANO VELHO

FALTA UM TANTO

AINDA EU SEI...



Venho tentando organizar meu tempo de leitor, meu tempo de escrita, meu tempo de falar besteiras por falar besteiras. Mas tá complicado. Num dado de realidade qualquer, o tempo que a gente desperdiça com um objetivo cego de ser "trabalhador" consome nosso tempo de gente, tempo de ouvir, de refletir, de ficar de pernas pra o ar e parar pra ouvir músicas (só por ouvir).


Meu cômodo abandono só se aproxima daquilo que posso imaginar contemplativo quando tenho minha mulher em meus braços... é o Bônus do romance, do calor dos corpos e das almas.... um torpor que resgata o humano por sobre o cotidiano martelar das obrigações. Mas até isso é de vez em quando.


Preciso do tempo como aliado. Da disciplina como guia. Da objetividade como linha... e dos devaneios como substância.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Eis que um dia eu criei o Barba Ruiva

No meio de um monte de histórias malucas que vez ou outra me saltam a mente, algumas delas praticamente vem sozinhas.

Personagens que já nascem feitos, cheios de si e de uma personalidade tão forte que eu quase me sinto usado. No meio disso tudo, sou só o cara que escreve e de vez em quando recebe algum trocado de alguns desses personagens pra não fazer greve...

Um dia desses, vcs vão ver, eu ainda tomo coragem e reivindico deles minha carteira assinada.



Eis o Barba..............



Matei minhas sete esposas



Quero crer que apresentar-me será de bom tom.

Venho de longe, a instalar-me nos recintos

À cata de vinho e mulheres

Pois que, asseguro, tenho o dom

De possuí-las por essência e fixar residência

Em seus corpos, tê-las no todo e em seus focos,

Tomar-lhes o espiritual e dar-lhes a carne minha

Do crepúsculo, já à tardinha, ao dia que raia com o sol matinal.



Revelo, porém, desde já, que assumo (mal feito, mal feito está),

Matei com apuro e resumo as sete esposas que tive.

Atesto, sem reclamar, nem por deslize, o que fiz a cada uma,

Pois que os extremos vieram se aninhar a mim no destino de matar

E o fim de todas elas teve sim a marca do que é livre.

A mim se entregaram de bom grado, vindas de carro ou montadas num asno.

Tiveram todas fins comuns, pois morreram todas

Com algum tipo definido de orgasmo.



- A primeira, teve fim na força descomunal das mulheres sem freio, fogosa:

Das que perdem o arreio e se mata porque goza.



- A segunda, bateu-se estrebuchando, num espasmo profundo,

A cabeça à ponta da cama. Findo o gozo, findo o mundo.



- A terceira, rameira... gozava de amar, vivia de dar

Morreu assada, depravada, de tanto gozar a noite inteira... em plena quarta-feira!



- A quarta, gemia pouco, gozava muito, mal se ouvia, a pudica

Explodiu por tal pressão, estremelicando à louca até o banheiro, perto da bica.



- A quinta, invasora, tinha ganas de macho. Queria-me mulher.

Dei-lhe um garrote, e comi-la em pé. Gozou até a morte, de olho num serrote

Que se via bem ali, junto a parede, no sopé.



- A sexta, miúda, nem cabia em si. Cristalina, urrava em uníssono com os pássaros,

Cantolava e bebericava vinho à croissants. Morreu engasgada entre dois ou três ham-hãns.



- A sétima, morreu a mais de um ano. Comi-lhe a cona e o culo... fodi-lhe dias e dias sem sossego.

Dia e noite, nos domingos e feriados. Parei por ocasião do Natal, chamou-me de viado.

Dei-lhe um tiro nas fuças. Também sou humano.



Eis que narrada minha trajetória, espero aqui também fazer história.

Não procuro mais esposas, mas não nego a espada que porto em aventuras,

Envergada e cintilante, em riste e de consistências duras.

Aviso aos confrades dessa aldeia de gentis, estou de passagem, mas consolado.

Ergo minha taça, cumprimento às moças e aviso aos moços,

Sinto-me honrado pelo tempo que estiver aqui ao lado.

Azul e Amarelo

(Cazuza/ Lobão/ Cartola)


Anjo bom, anjo mau

Anjos existem

E são meus inimigos

E são amigos meus

E as fadas

As fadas também existem

São minhas namoradas

Me beijam pela manhã

Gnomos existem

E são minha escolta

Anjos, gnomos

Amigos e amigos

Tudo é possível

Outra vida futura, passada

Viagens, viagens

Mas existem também drogas pra dormir

E ver os perigos no meio do mar

No sono pesado, tudo meio drogado

Existem pessoas turvas, pessoas que gostam

E eu tô de azul e amarelo

De azul e amarelo

Senhores deuses, me protejam

De tanta mágoa

Tô pronto para ir ao teu encontro

Mas não quero, não vou, não quero

Não quero, não vou, não quero

domingo, 10 de junho de 2007

Alguns motivos para ler Cem Anos de Solidão



Gabriel García Márquez fez de Cem Anos de Solidão um paradoxo, por contar uma história de memórias em vidas que seguem rumo à descontinuidade e ao esquecimento, pela impossibilidade de amar de forma duradoura. Entre alegorias, momentos de uma realidade fantástica e o cotidiano quase comum, que sentimos envelhecer junto com os membros da família Buendía, a cidade de Macondo nasce, cresce e definha no espaço de um século. O tempo se materializa como o narrador invisível da efemeridade de pessoas que se desfazem pelo ar, de uma Insônia/praga que anuncia sutilmente não haver descanso presente ou vindouro para os que ali vivem, de nomes que se repetem a cada geração como se tentassem congelar a existência numa tradição sem substância. Um livro de memórias imaginadas, tão fugazes como só a imaginação é capaz de ser, mas que se tornou real em vivências imateriais, entre a intensidade daquilo que foi quase amor, por ser paixão, e de paixões que duraram mais de que o tempo de vidas inteiras.